O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof) vincou, este sábado, a necessidade da defesa da Escola Pública. Mário Nogueira assinalou que os docentes «não estão a mais» no sistema de ensino.

Após o encerramento da sessão pública «Os/As Professores/as são indispensáveis», na Escola Secundária D. Pedro V, em Lisboa, Mário Nogueira disse que a Escola Pública «tem de ter qualidade» e «uma organização democrática, de forma a dar respostas a todos aqueles que têm direito a frequentá-la».

Lembrando que o Presidente da República, Cavaco Silva, também fez referência à Educação no discurso das comemorações da implantação da República, o dirigente da Fenprof referiu que se deve acentuar «a importância dos professores» no sistema de ensino.

«Não há professores a mais no nosso país. Temos hoje milhares de professores no desemprego que são precisos às escolas. Apesar de haver uma redução de alunos na ordem dos três por cento, o desemprego entre professores é de cerca de 30 por cento. Isto demonstra bem que o problema não é menos alunos, decorre de medidas que este Governo tem vindo a tomar, desde o aumento de alunos por turma, os mega agrupamentos e as alterações de currículos», disse, citado pela Lusa.

No entender de Mário Nogueira, as políticas do Governo na Educação, que «têm a ver com incompetência e com uma intenção de denegrir a escola democrática», visam «deliberadamente tirar professores às escolas» e provocar desemprego.

O secretário-geral da Fenprof manifestou ainda «uma preocupação enormíssima» pelos cortes no orçamento para a Educação, que «andam na ordem dos 3,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB)» e que, em 2014, «serão maiores».

A Fenprof assinalou o Dia Mundial do Professor com uma sessão pública que contou com intervenções de Ana Maria Bettencourt, ex-presidente do Conselho Nacional de Educação, defensora da Escola Pública, e de Michelle Domingos, professora atualmente desempregada.

No decorrer da sessão pública, a Fenprof e a SECRE atribuíram a Ana Cristina Silva, autora da obra «O Rei do Monte Brasil», o Prémio de Novela e Romance Urbano Tavares Rodrigues. No valor de 7.500 euros, o galardão pretende distinguir obras literárias, de poesia ou ficção narrativa, de professores no ativo ou aposentados, de qualquer grau da educação e do ensino.