A Fenprof teme que mais de 18 mil professores sejam colocados em mobilidade especial, tendo em conta as medidas aplicadas este ano pelo ministério, como a redução de turmas ou o aumento de alunos por sala.

As escolas identificaram, até ao final de julho, 6915 professores sem horário atribuído, segundo dados provisórios divulgados quarta-feira pelo Ministério da Educação e Ciência (MEC).

Para a Fenprof, estes números não correspondem à realidade, uma vez que o MEC «omitiu os 11.412 professores de quadro de zona pedagógica que também ainda estão para colocar», contou à Lusa António Avelãs, presidente do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL).

Ou seja, dos 24.544 docentes que integraram o concurso de mobilidade interna, a Fenprof teme que possam chegar aos 18 mil os docentes sem horários atribuídos no próximo ano letivo.

«Ao contrário do que o MEC quis até hoje fazer crer, o número de docentes dos quadros que foram obrigados a concorrer à mobilidade interna é muito superior ao verificado no início do ano letivo 2012/2013, colocando estes docentes, de imediato, em situação de pré-mobilidade especial», acusou a federação em comunicado enviado para a agência Lusa.

A redução de turmas nas escolas públicas, o aumento de alunos por turma, a criação de mais mega-agrupamentos e o fim de algumas disciplinas fazem com que possa haver mais professores em risco de ficar com horários-zero.

Para a Fenprof, «o MEC prepara o despedimento em massa de mais de 15.000 docentes dos quadros» no ano letivo de 2014/2015 (quando a mobilidade passar a ser aplicada aos professores) assim como «de mais de 10.000 contratados, já a partir do próximo mês de setembro».

António Avelãs voltou a sublinhar a importância de respeitar a ata negocial, assinada a 25 de junho entre sindicatos e ministério, na qual ficou definido que os professores sem turma poderiam considerar como componente letiva atividades como o apoio em sala de aula, apoio a alunos ou o trabalho de biblioteca, entre outras.