Há 20 anos Portugal era um país com pouca confiança em si próprio. Pelo menos não acreditava que levasse uma obra até ao fim. A Expo 98 veio mexer com a confiança dos portugueses. Passadas duas décadas não é demais lembrar que apesar de todas as polémicas e criticas, a Expo 98 foi considerada a melhor exposição mundial de sempre à época e o Parque das Nações está hoje muito longe do abandono que caracterizou alguns dos recintos de outras exposições, como é o caso, de Sevilha.

A Expo 98 inflamou os portugueses. Os custos do projeto «megalómano» e a capacidade de concluir a obra a tempo da abertura de portas era assunto recorrente. Portugal era ainda um país longe dos grandes acontecimentos europeus, como por exemplo, o Euro 2004.

O ponto de viragem sobre o sucesso da exposição começou com a campanha de publicidade que trouxe aos écrans nacionais e internacionais um mundo vivido debaixo de água. As imagens de bebés a nadar e de várias pessoas submersas e vestidas, com os trajes nacionais, encantou um país ainda pouco habituado a grandes feitos.

A 22 de maio de 1998, Portugal conheceu aquela que viria a ser um dos locais fundamentais da área de Lisboa. A zona oriental da cidade, a antiga Doca dos Olivais, tinha dado origem a uma «nova cidade» dentro da cidade. Amplos espaços verdes com ligação ao rio, diversos pavilhões inovadores, o maior aquário do Mundo, o Pavilhão de Portugal ou o teleférico foram algumas das inovações que atraíram milhões de portugueses e estrangeiros à obra nacional. Entre famosos, como Bill Gates ou Ringo Starr, Reis e Rainhas e figuras de Estado foram 11 milhões os visitantes da Exposição, menos quatro milhões do que era esperado.

O número de visitantes aquém do previsto foi dos poucos objectivos que a exposição, com o tema dos oceanos, não cumpriu. Os mais de cinco mil eventos musicais realizados durante os quatro meses de exposição constituíram um dos maiores festivais musicais já realizado. O espetáculo exibido no Pavilhão Atlântico foi exibido 500 vezes e visto por mais de três milhões. Um recorde em exposições mundiais. A diversidade cultural da Expo 98 levou mesmo o gabinete internacional de exposições ( BIE) a considerar a exposição de Lisboa como a melhor de sempre.

Lisboa cresceu cinco quilómetros

A Expo 98 prolongou literalmente a cidade. Com o advento da exposição, Lisboa ganhou uma nova ponte sobre o Tejo, mais estações de metro e um novo interface de transportes, a Gare do Oriente. Hoje a estação recebe diariamente mais de 150 mil pessoas. A obra da autoria do arquiteto espanhol Santiago Calatrava é um dos marcos da cidade e ponto de passagem de turistas. Ainda assim, não escapa às críticas, nomeadamente, devido à falta de conforto.

«É magnífica para a fotografia, mas confesso o meu cansaço com as coisas bonitas para a fotografia e depois apanhamos calor, chuva, não são confortáveis», defendeu José Rio Fernandes, especialista em Urbanismo da Universidade do Porto. Com uma área de construção de 150 mil metros quadrados, teve um investimento de mais de 150 milhões de euros.

Para lá do sucesso da exposição, ficou o Parque das Nações. Um dos objetivos do projeto era garantir a utilidade futura do espaço e não o seu abandono. «Um dos primeiros grandes desafios era o deserto que ia ser aquele território depois de acabar a exposição. Era o nosso grande drama. Daí a nossa estratégia da localização central da Estação do Oriente, do centro comercial, dos hotéis, das sedes de serviço e até da habitação», afirmou à Lusa Luís Vassalo Rosa, o arquiteto que coordenou o plano de urbanização.

Lisboa ganhou um novo espaço, apesar das críticas de excesso de construção e falta planeamento urbano, um espaço sem paralelo na cidade. Os portugueses, apesar das polémicas e críticas de custo, ganharam confiança nos seus feitos. Um caminho que, pelo menos na organização de eventos, nunca mais foi esquecido.