O Movimento Boicote&Cerco, que esteve na base de vários protestos nas escolas onde decorreu a prova de avaliação docente, exigiu nesta quarta-feira a divulgação dos resultados quantitativos dos professores e a exclusão da prova nos critérios de admissão a concurso.

«Curiosamente, e ao contrário do que acontece em todos os exames e provas de acesso à função pública, assim como as bolsas da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), a lista publicada continha somente a designação APROVADO e não o resultado quantitativo obtido por cada examinado. Falta pelo menos também anunciar o número de provas anuladas ou com 0% na classificação. Ao manter esse secretismo, o ministro demonstra que continua a ter receio de divulgar o significativo número de professores que também dessa forma protestaram contra esta ignóbil prova», defende o movimento em comunicado.

Entre as exigências do Movimento Boicote&Cerco estão a divulgação da lista com os resultados quantitativos de todos os professores que ficaram aprovados na Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos (PACC), a divulgação do número de provas anuladas ou com 0% de classificação, que, consideram, indicia um protesto dos docentes que compareceram no dia da prova, mas que optaram por não a realizar, entregando-a em branco.

A Lusa questionou o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) sobre o total de provas entregues em branco, mas o instituto recusou-se a responder.

O movimento de professores quer ainda saber quanto custou a realização desta prova e exigem que os resultados da PACC não tenham qualquer peso nos de colocação de docentes, por já se encontrarem a decorrer, à semelhança do que tem pedido também a Federação Nacional dos Professores (Fenprof), que admite ajudar os professores que chumbaram na PACC a impugnar judicialmente estes concursos, se realmente forem excluídos em consequência dos resultados na prova de avaliação.

O Movimento Boicote&Cerco questiona ainda a percentagem de erros ortográficos apresentada na divulgação de resultados, referindo que muitos professores terão visto erros deste tipo assinalados, por se recusarem a aplicar o novo acordo ortográfico.

«Que moralidade tem o MEC para falar em erros, se a própria prova tinha pelo menos dois erros graves?», questiona ainda o movimento de professores.

Também o secretário-geral da Fenprof, em declarações à Lusa, defendeu que muitos dos erros ortográficos terão resultado dessa recusa em escrever segundo o novo acordo ortográfico.

Segundo a informação do IAVE, divulgada na segunda-feira, mais de 85% dos professores que realizaram a prova de avaliação, considerada devidamente válida, foram aprovados no exame.

Segundo os dados divulgados, tiveram nota positiva 8.747 docentes, «o que corresponde a 85,6% do total de candidatos com provas classificadas», num universo de 10.220 provas realizadas.

O IAVE revelou ainda que 1.473 docentes reprovaram nesta prova, que permite o acesso à carreira docente de professores contratados, com menos de cinco anos de serviço.

De acordo com o IAVE, num total de 10.220 provas validadas, e especificamente na parte do exame correspondente à escrita de um pequeno texto, 62,8% por cento das respostas dos candidatos acusaram um ou mais erros ortográficos, 66,6%, um ou mais erros de pontuação, e 52,9%, um ou mais erros de sintaxe.