Os ex-trabalhadores das Minas de Urânio da Urgeiriça, Nelas, decidiram este sábado apresentar uma queixa contra o Estado português no Parlamento Europeu, reivindicando o pagamento indemnizações aos familiares dos colegas que morreram com cancro, devido à exposição à radioatividade.

«Decidimos levar o nosso protesto contra o Estado português até Bruxelas, onde uma comitiva dará conta da nossa luta de anos para que sejam pagas indemnizações aos antigos trabalhadores da ENU [Empresa Nacional de Urânio]», avançou António Minhoto, presidente da Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio (ATMU).

Os antigos trabalhadores da ENU - que esteve sediada na Urgeiriça, no concelho de Nelas - lutam há vários anos para que sejam pagas indemnizações aos familiares dos colegas que morreram com cancro, devido à exposição à radioatividade.

No final de uma assembleia geral dos ex-trabalhadores das minas de urânio, que decorreu ao longo da manhã na Casa do Pessoal da Urgeiriça, António Minhoto explicou que a deslocação a Bruxelas deverá acontecer até ao próximo mês de março.

«Há meses que os partidos votaram uma resolução que previa que se fizessem mais exames médicos. Repudiamos e lamentamos que nada tenha sido feito desde então, quando sempre estivemos disponíveis para fazer ainda mais exames do que os que já tinham sido feitos», alegou.

Em julho, as bancadas parlamentares discutiram e votaram os projetos de resolução sobre a matéria, tendo sido aprovado o do PSD/CDS-PP, que «recomenda ao Governo que proceda à realização de um estudo científico ao universo dos ex-trabalhadores e mineiros», para que se confirme a influência nefasta da exposição ao urânio.

Solicita, ainda, que se promova «uma quantificação do impacto financeiro de um possível processo indemnizatório baseado em critérios justos, equitativos e objetivos na sua aplicabilidade a atribuir aos ex-trabalhadores da ENU».

«O que o PSD e o CDS estão a fazer é protelar o pagamento das indemnizações, mas não nos vão vencer pelo cansaço e vamos continuar a lutar por um direito que tem sido negado à família mineira», assegurou.

O presidente da Associação dos Ex-Trabalhadores das Minas de Urânio anunciou ainda que, durante o plenário, foi agendada uma vigília para o dia 21 de dezembro, que visa protestar contra a taxação de consultas e exames médicos.

«A lei de 2010 veio dar-nos o direito a consultas e exames médicos gratuitos, mas a ARS [Administração Regional de Saúde do] Centro agora não está a respeitar essa lei. O protesto junto ao Centro de Saúde de Nelas vai servir para denunciar mais esta traição», concluiu.