Um estudo que avalia estigma e discriminação sobre pessoas com o vírus da sida, apresentado esta terça-feira e divulgado pelo «Jornal de Notícias», revela que as escolas estão a excluir alunos que têm VIH ou cujos pais são portadores do vírus.

Dezasseis dos cerca de 30 estudantes da amostra contaram terem sido excluídos das escolas por serem portadores do vírus e outros dois foram excluídos por serem filhos de pais seropositivos.

O estudo Stigma Intex Portugal revela também a discriminação nos locais de trabalho, com 350 casos, entre a família e a comunidade (205 casos), entre outros portadores do vírus (120) e nos serviços de saúde (96).

Entre os 1062 casos estudados, 80 portadores do VIH garantem que lhes foram recusados cuidados de saúde por serem portadores do vírus da sida.

A maioria dos casos de discriminação são feitos através de difamação (857), seguindo-se a agressão física (312) e as situações de exclusão de encontros sociais, atividades religiosas ou em família (234).

O vice-presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas, Filinto Lima, negou, no entanto, que as escolas públicas estejam a excluir alunos nestas situações.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da ANDAEP reconheceu que o estudo «é muito importante», mas disse «ter a certeza» que as escolas públicas portuguesas não estão a recusar alunos com VIH/sida ou filhos de pais com esta doença.

«Não sei se o estudo foi feito nas escolas públicas e privadas. Nas escolas públicas, tenho a certeza de que não recusam alunos com esta doença. É preciso perceber em que contexto, em que escolas e que pessoas é que responderam a este questionário. Tenho dúvidas que isto abarque escolas públicas, porque não podem recusar qualquer aluno», sublinhou.

De acordo com os dados do estudo, entre os 221 inquiridos que frequentam estabelecimentos de ensino, apenas 17% confessaram aos professores serem portadores da infeção.

O «Correio da Manhã» escreve que o ministério da Educação confirmou a existência de casos de exclusão de doentes de VIH/sida.

À agência Lusa, o vice-presidente da ANDAEP disse não ter conhecimento de qualquer exclusão de alunos.

«Temos de saber se é verdade e, a ser verdade, saber em que escolas isto se passa, em que contexto, os motivos. Isto carece ser explicado o quanto antes», disse.

Filinto Lima reconhece, no entanto, que devia haver uma maior sensibilização nas escolas para ultrapassar o «mito» do VIH/sida.

«Seria importante nas escolas públicas e nas privadas existir uma maior sensibilização junto dos alunos, dos funcionários, dos professores e dos pais para que o estigma não subsista 30 anos depois do primeiro caso em Portugal», disse, defendendo uma parceria entre os ministérios da Saúde e da Educação.

O Stigma Index Portugal, que analisa pela primeira vez o estigma que existe no país relativamente às pessoas infetadas com VIH, inquiriu 1.474 pessoas com VIH de vários grupos vulneráveis.