O Agrupamento de Escolas José Relvas, em Alpiarça, conseguiu reunir dinheiro suficiente para libertar a mãe de dois alunos, presa na semana passada por não ter pago as custas judiciais relativas a um processo de 2006.

A diretora do agrupamento, Isabel Coelho, disse à agência Lusa que, alertada na terça-feira para a situação dos dois irmãos, gémeos com 17 anos, e da mãe, pessoa «muito querida na comunidade», a direção da escola agiu de imediato, conseguindo reunir o dinheiro suficiente para, em menos de 24 horas, conseguir o seu regresso a casa.

«Na quarta-feira de manhã, estávamos às 11:00 no tribunal para fazer o pagamento de 837 euros e logo nesse dia foi libertada», contou Isabel Coelho, frisando o «grande sofrimento» que a situação causou à família.

«Sei que ela passou lá muito mal. Não comeu, desmaiou, esteve internada. Não iria sobreviver», pois é uma pessoa «muito magra, muito frágil, doente», frisou.

No passado dia 28 de novembro, a mulher foi levada de casa para um estabelecimento prisional para cumprir uma pena subsidiária de 100 dias de prisão, por não ter pago cerca de 900 euros em custas judiciais de um processo em que foi condenada.

Dando cumprimento a uma decisão do Tribunal Judicial de Almeirim, a GNR foi buscar a mulher à sua residência, em Alpiarça, mas o resto da família não foi informada da diligência e os dois jovens terão tido vergonha de contar que a progenitora tinha sido presa, tendo, até à descoberta da situação pela escola, passado fome, noticiou a Rede Regional.

Isabel Coelho confirmou que foi depois de um telefonema para a escola na terça-feira que a direção chamou os jovens, tendo verificado que um deles estava a faltar por se encontrar doente.

«Fomos de imediato à residência da família e diligenciámos junto da Fundação José Relvas para que lhes fosse fornecido o jantar e junto do centro de saúde para cuidar do jovem que estava doente», observou.

A escola lançou nesse dia uma campanha junto da comunidade educativa - alunos, professores, funcionários e pais -, que permitiu reunir o dinheiro necessário à libertação da mulher.

Isabel Coelho adiantou ainda que a comunidade local acabou também por contribuir, tendo sido já angariados perto de 2.000 euros, que vão permitir adquirir alguns bens, como eletrodomésticos e roupa de cama, para ajudar a família, que passa por «dificuldades».