A tradução chinesa do romance de José Saramago «Ensaio sobre a Lucidez», assinada por Fan Weixin, foi lançada em Pequim esta terça-feira, numa coleção dedicada aos «Novos Clássicos», que inclui obras de Garcia Marquez, Murakami e outros autores.

Na mesma sessão, realizada no Instituto Cervantes em Pequim, com a participação de dois escritores chineses (Yan Lianke e Ren Xiaowen), foi lançada uma reedição de «Ensaio sobre a Cegueira», traduzida também por Fan Weixin.

«É um marco assinalável na promoção e divulgação da literatura portuguesa junto do público chinês, tornando-a ainda mais internacionalmente conhecida», disse a professora Clara Oliveira, da Universidade de Estudos Internacionais de Pequim (Beiwai).

Falando em representação do Embaixador de Portugal na China, Clara Oliveira salientou que o anúncio da sessão na conta da embaixada na rede social Sina Weibo, o Twitter chinês, «suscitou milhares de comentários».

«Isto prova o interesse pela cultura portuguesa e em particular por José Saramago», acrescentou.

«Ensaio sobre a Lucidez» e «Ensaio sobre a Cegueira» fazem parte do catálogo da Thinkingdom Media Group, uma das maiores editoras privadas chinesas, estabelecida em Taiwan, Hong Kong e no continente chinês.

Aquela editora pretende reeditar ainda este ano «Memorial do Convento», traduzido também por Fan Weixin, há 16 anos, e em 2015 tenciona publicar mais dois títulos de Saramago, ainda inéditos na China: «O Cerco da Cidade de Lisboa» e «As Pequenas Memórias».

Em declarações à agência Lusa, Fan Weixin contou que demorou cerca de quatro anos para completar a tradução de «Ensaio sobre a Lucidez»: «Traduzia apenas uma ou duas horas por dia, no máximo três. Mantive segredo absoluto sobre a tradução e não pensava na edição. Se um parágrafo era fácil passava à frente, se era difícil traduzia-o logo».

«Foi um passatempo», afirmou o tradutor à Lusa.

Único autor de língua portuguesa galardoado com o Prémio Nobel da Literatura, Saramago visitou a China por ocasião do lançamento da tradução chinesa de «Memorial do Convento», em 1997, um ano de ter sido distinguido pela Academia Sueca.

Antigo jornalista da secção portuguesa da Rádio Internacional da China, Fan Weixin, 74 anos, fez parte da primeira turma de português criada na Republica Popular da China, em 1960.

Além de repórter e locutor, Fan Weixin traduziu mais de uma dezena de obras de outros autores portugueses e brasileiros, entre os quais Jorge Amado, Erico Veríssimo, Eça de Queiroz, Miguel Torga e Manuel da Fonseca.