Centenas de doentes líbios, incluindo feridos de guerra, vão receber assistência médica em Portugal, que vai também acolher e formar profissionais líbios, no âmbito de um protocolo assinado na terça-feira entre os dois países.

Em declarações à agência Lusa, o vice-presidente da Associação Luso-Líbia (ALL), Luís Cabrita, disse que o acordo é contínuo e vai começar já a concretizar-se.

Até ao final do ano, especificou, começarão a chegar os primeiros doentes, que inicialmente serão tratados em unidades de saúde privadas, estando também prevista a assistência em hospitais públicos.

«Este é um processo que não acaba agora, é contínuo, e vai abranger cada vez mais unidades públicas de saúde», disse.

Além de doentes com diversas tipologias, para diagnóstico, cirurgia e tratamento, irão receber assistência em Portugal doentes líbios com ferimentos de guerra.

O protocolo assinado na terça-feira em Lisboa entre a AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) e uma delegação oficial do Governo da Líbia prevê também a formação em Portugal de profissionais de saúde líbios, nomeadamente médicos e enfermeiros, bem como a constituição de equipas portuguesas e de mistas para exercerem na Líbia.

A anestesiologia é uma das áreas mais carenciadas na Líbia e, por isso, alvo desta formação de profissionais líbios em Portugal.

Este protocolo foi assinado no decorrer de uma visita de três dias, que hoje termina, de uma delegação que incluiu o vice-ministro de Saúde da Líbia e os diretores dos Recursos Humanos e do Departamento de Cuidados de Saúde.

A delegação visitou o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, nomeadamente os serviços de patologia clínica e de cardiologia interventiva, e o Instituto de Medicina Molecular.

Os elementos do Governo líbio reuniram-se com o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, Fernando Leal da Costa, e mantiveram encontros com representantes do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Foram ainda visitados por esta delegação hospitais privados e a Fundação Champalimaud.