O composto químico triclosan, presente na pasta dentífrica «Colgate Total», está ligado ao desenvolvimento de células cancerígenas em animais, segundo estudos recentes a que a «Bloomberg» teve acesso.

De acordo com a agência de notícias, os reguladores norte-americanos estão a rever os perigos da utilização do composto em dentífricos, sabonetes ou brinquedos. As empresas, no entanto, parecem relativizar os potenciais riscos desta substância para a saúde humana.

A Colgate garante que a utilização da pasta dentífrica «Colgate Total» é segura, salientando que o produto foi aprovado pela Food and Drug Administration(FDA), a agência federal norte-americana que regula os medicamentos, em 1997.



Mas um relatório da FDA sobre a presença de triclosan na composição do dentífrico não estabelece com clareza a sua segurança.

O documento, com 35 páginas, foi analisado por três cientistas, a pedido da «Bloomberg», e as conclusões dessa análise levantam questões sobre os perigos do químico na sáude humana.

Alguns dos testes realizados, que constam no relatório, apontam más formações ósseas em ratos, mas a Colgate não considerou que estas pesquisas fossem relevantes.

Porém, para Thomas Zoeller, cientista da Universidade de Massachusetts e especialista na influência das substâncias químicas no corpo humano, estes estudos representam um grande risco.

«Quando há estudos em animais que sugerem que os químicos não são seguros, estamos a assumir um grande risco», afirmou.

A Colgate, com sede em Nova Iorque, já reagiu à investigação, afirmando que o relatório não prova que o triclosan é perigoso. A marca acrescentou ainda que a segurança da «Colgate Total» é apoiada por mais de 80 estudos clínicos que envolveram 19 mil pessoas, destacando o facto de todos os anos serem enviados relatórios sobre novos testes e pesquisas à FDA.

Entretanto, também o Infarmed reagiu em comunicado, afirmando que a concentração máxima de triclosan permitida nos dentífricos é de 0,3%.

«A legislação europeia relativa aos produtos cosméticos especifica uma concentração máxima de 0,3% em relação à utilização de triclosan como conservante. Este valor é considerado seguro pelo Comité da Segurança dos Consumidores da Comissão Europeia», lê-se no comunicado.

O Infarmed informa ainda que não recebeu qualquer indicação de que a Colgate não respeitasse este valor.

«Até à data não foi rececionado qualquer alerta formal sobre a existência de produtos da marca Colgate Total com concentrações de triclosan superiores ao permitido legalmente.»

O triclosan é um agente anti-sético presente em muitos produtos anti-bacterianos. Nos últimos anos, várias marcas de cosméticos e produtos de higiene têm revelado a intenção de deixar de utilizar o composto que tem um impacto negativo no meio ambiente devido à sua toxicidade.