Notícia atualizada às 13:30

Um relatório da Cáritas Europa, apresentado esta quinta-feira em Atenas, alerta que a «austeridade não está a funcionar» na Europa e o «crescimento, se é que existe, ainda é ridiculamente baixo».

«Cinco anos depois do início da crise, o crescimento, se é que existe, ainda é ridiculamente baixo. O desemprego continua a aumentar», assim como o número de pessoas em situação de pobreza, adverte o relatório «Consequências humanas da crise na Europa».

O segundo relatório anual da Cáritas Europa analisa o impacto das políticas que estão atualmente a ser implementadas nos diferentes países da União Europeia mais afetados pela situação de crise (Portugal, Chipre, Grécia, Irlanda, Itália, Roménia e Espanha) e os seus efeitos na vida das pessoas.

«Acreditamos que este relatório pode contribuir para uma maior consciência do impacto da crise sobre os grupos de pessoas mais vulneráveis», afirma o secretário-geral da Cáritas Europa, Jorge Nuño Mayer, citado num comunicado da Cáritas portuguesa.

Jorge Nuño Mayer adianta que o relatório confirma os alertas que a Cáritas tem deixado para que se encontrem soluções políticas alternativas.

«Os políticos têm alternativas nas decisões e medidas que devem ser tomadas e têm a responsabilidade de atenuar os piores efeitos da crise nestas camadas da população», defende o secretário-geral da Caritas Europa.

O relatório, que é lançado uma semana antes da reunião do Conselho Ecofin (ministros das Finanças da UE), descreve os efeitos das medidas de austeridade na vida das pessoas e documenta «o crescente número de pessoas que enfrentam situações de pobreza e exclusão social».

Destaca ainda como a crise tem afetado os serviços sociais e de saúde.

O documento analisa as taxas de emprego e de desemprego, os níveis de pobreza e exclusão social, o estado dos serviços públicos em geral, e dos cuidados de saúde, em particular, e o nível de confiança em instituições nacionais e europeias e a coesão social nesses países.

A análise é feita através da «Fórmula Cáritas», que consiste na combinação de números oficiais do Eurostat e dos institutos nacionais de estatística com informações recolhidas nas centenas de centros de apoio da Caritas nos países abrangidos no relatório.

Na apresentação do relatório em Atenas, o presidente da Cáritas Portuguesa afirmou que «a crise está a destruir a classe média em Portugal».

Eugénio Fonseca afirmou que «a pobreza em Portugal é uma pobreza de vergonha».

«As pessoas têm vergonha de mostrar a miséria total em que estão agora, porque pertenciam a classe sociais que tradicionalmente nunca contaram entre os mais vulneráveis», explicou.

A nível geral, o relatório aponta para uma situação já evidenciada no primeiro relatório: «A injustiça da atual situação em que estão os contribuintes, a maioria deles já em condições de fragilidade económica, a pagar por uma crise que tem a sua raiz no setor financeiro».