Dois dos quatro pescadores naufragados esta sexta-feira em Peniche foram transferidos do hospital local para a urgência de Caldas da Rainha, estando um deles em estado grave, disse à Lusa fonte do Centro Hospitalar do Oeste (CHO).

«Um encontra-se estável, em observação, e o outro aparenta alguma gravidade», acrescentou.

Os dois pescadores, de 30 e 36 anos, integravam a tripulação da lancha de cinco metros «Linda Ilha», que hoje de manhã naufragou, devido a causas desconhecidas, perto do Baleal, com mais outros dois tripulantes. Três dos ocupantes da embarcação são residentes em Peniche.

Os quatro foram resgatados, mas um deles, de 40 anos e da localidade de Olho Marinho, Óbidos, veio a falecer na praia.

O comandante da Capitania de Peniche, Pedro Vinhas Silva, disse à agência Lusa que vai ser aberto um inquérito para averiguar as causas do acidente, que permanecem desconhecidas.

Jorge Sousa, proprietário da embarcação «Ribela», da mesma dimensão, contou à agência Lusa que se encontrava no porto dos barcos da praia do Baleal a desencalhar a sua lancha, quando cerca das 10:00 ouviu um colega, que pescava à cana nas rochas, a pedir socorro.

«Um dos náufragos nadou e subiu até às rochas e gritou por ajuda ao pescador desportivo. Arrisquei e pus a lancha ao mar. Hoje por eles e amanhã por mim», disse, acrescentando que já por várias vezes salvou praticantes de surf e de kitesurf.

O pescador veio a encontrar a uma milha a noroeste da ilha do Baleal os restantes três náufragos, «com os coletes vestidos e agarrados à boia de salvação».

«Não fosse o colete, não os conseguia avistar, porque não conseguiam manter-se à superfície», acrescentou.

Os três foram resgatados para terra na sua lancha, tendo um deles vindo a morrer e os outros dois recebido assistência hospitalar.

O quarto foi recolhido junto às rochas do ilhéu, por uma mota de água da estação salva-vidas de Peniche.

Jorge Sousa, 53 anos, 30 dos quais passados na faina, não consegue apontar possíveis causas do acidente, apesar de conhecer o mar naquela zona, onde também trabalha.

«Não estava um mar que fizesse supor o que aconteceu, mas a maré a norte é mais perigosa e a lancha pode virar», apontou.

O presidente do Sindicato dos Pescadores de Peniche, Henrique Bertino, explicou que, pela sua pequena dimensão e por não terem convés, estas lanchas «são mais frágeis nas alturas do ano em que o mar é mais agreste e, por isso, o risco é maior», cita a Lusa.

No local, estiveram ainda a Viatura Médica de Emergência e Reanimação de Caldas da Rainha, a ambulância de Suporte Imediato de Vida de Peniche e duas ambulâncias dos bombeiros locais.