Notícia atualizada

O arquiteto Siza Vieira anunciou esta quarta-feira a decisão relativa ao seu acervo, tendo optado por doar uma parte a duas instituições portuguesas, Fundação Gulbenkian e Fundação de Serralves, e outra ao Centro Canadiano de Arquitetura.

«É meu desejo que o trabalho de tantos anos seja de algum modo útil, como contribuição para o estudo e debate sobre a arquitetura, particularmente em Portugal, numa perspetiva oposta ao isolamento, (como já hoje sucede e é imprescindível)», pode ler-se num comunicado enviado à agência Lusa.

De acordo o arquiteto, a opção passou por doar parte «a duas instituições portuguesas, já com experiência, qualidade e capacidade para desenvolver ou alargar os respetivos arquivos (Fundação Gulbenkian e Fundação de Serralves), numa perspetiva de abertura à consulta, divulgação e participação num debate que já não é simplesmente nacional, nem centrado no individual».

Siza Vieira decidiu doar outra parte ao Centro Canadiano de Arquitectura (CCA) em Montreal, «instituição de experiência e prestígio ímpares e com intensa e contínua atividade», que é «reconhecido pela sua experiência na preservação e apresentação de arquivos internacionais», escreve a Lusa.

Esta decisão prémio Pritzker foi conhecida hoje, depois de na semana passada a revista Visão e o jornal Público terem noticiado que o arquivo de Siza Vieira poderia ir para o Centro Canadiano de Arquitetura, em Montreal, o que gerou uma onda de reações políticas e culturais.

No comunicado enviado à Lusa, o arquiteto explica ainda que o CCA vai tratar de «uma grande parte» do arquivo, onde «estará acessível, em conjunto com o trabalho de outros arquitetos modernos e contemporâneos».

«Conforme conversações já efetuadas, o CCA estará disponível para colaborar com a Fundação Gulbenkian e a Fundação de Serralves na catalogação consistente do material e na partilha da pesquisa e programação relacionadas», acrescentou.

De acordo com Siza Vieira, o vereador da Cultura da Câmara do Porto, Paulo Cunha e Silva, manifestou-lhe a intenção de instalar uma galeria de exposição sobre a arquitetura da cidade, constituída em particular por maquetas.

«Comuniquei-lhe o meu apoio a esse propósito, considerando a relevância do projeto para pública informação e debate sobre a arquitetura», enfatizou.

O arquiteto premiado explica que nos últimos anos sentiu a necessidade de organizar o arquivo do seu trabalho, procurando «uma solução que considerasse fundamentada», tendo verificado «existir um interesse evidente, por parte de pessoas e instituições».

«Desenhos e maquetes do meu arquivo encontram-se já, alguns desde há anos, em Paris (Beaubourg), em Nova Iorque (MOMA) e em Londres (Niall Hobhouse Collection), nos respetivos arquivos de arquitetura», recorda.

O Governo congratulou-se com esta decisão. Uma nota enviada à agência Lusa pelo gabinete do secretário de Estado da Cultura, Barreto Xavier, considera que «esta é uma solução que serve os interesses nacionais e garante, ao mesmo tempo, a promoção internacional da obra do mais importante arquiteto português da sua geração».