A Assistência Médica Internacional registou, em média, 409 novos casos de pobreza por mês em 2013, ano em que 4.912 pessoas procuraram pela primeira vez os apoios sociais da AMI, revela um relatório da Fundação.

Segundo o Relatório de Atividades e Contas 2013 da AMI, publicado no site da organização, 31% do total da população apoiada refere-se a novos casos de pobreza.

No ano passado, recorreram diretamente à AMI 15.802 pessoas, mais 0,2% face a 2012, o valor mais elevado em 19 anos de intervenção da organização em Portugal.

Na Área Metropolitana de Lisboa, houve 7.708 pessoas a pedir ajuda, mais 2% face a 2012, enquanto na Área Metropolitana do Porto foi registada uma quebra de 4% na procura, totalizando 5.557 pedidos.

Em Coimbra, recorreram ao Centro Porta Amiga 511 pessoas, mais 14% do que no ano anterior. No Funchal, 753 pessoas pediram apoio (menos 20%) e em Angra do Heroísmo 900 (mais 8%).

A precariedade financeira (82%) e o desemprego (60%) foram os principais motivos invocados pelas pessoas que recorreram aos serviços sociais, seguindo-se a doença (21%), os problemas familiares (19%) e a falta de habitação ou desalojamento (7%).

Do total de beneficiários que evocaram a habitação como motivo de recurso aos apoios da AMI, 74% são homens e 26% mulheres.

Das pessoas que recorrem à AMI, 10.647 moram em casa alugada (67%), mais 7% face a 2008, sendo que, destas, pelo menos 3.261 são habitação social (31%).

O documento adianta que 2.117 pessoas têm habitação própria (13%), mais 2% relativamente a 2008.

Dos que vivem em casa própria ou casa alugada, 415, mais 14% que em 2012, não têm acesso a água canalizada ou têm-na de forma ilegal, 627 (mais 45%) não têm acesso a luz ou têm eletricidade de forma ilegal.

Noventa e cinco (menos 20% que em 2012) não têm ligação à rede de esgotos, 113 não têm cozinha (destas, 29 têm acesso a cozinha coletiva), 163 não têm retrete (39 têm acesso a retrete coletiva).

De acordo com o documento, as despesas mensais com rendas ou amortizações de 2.461 pessoas (21%) são inferiores a 100 euros.

Das pessoas que procuram apoio, 1.075 disseram que o fizeram por necessidades relacionadas com o alojamento, tendo 676 pessoas (mais 65% que no ano anterior) referido situações de endividamento por rendas em atraso ou crédito à habitação que não conseguem cumprir.

A população em idade ativa (67%) continua a ser quem mais recorre aos centros sociais e têm idades entre os 30 e os 59 anos (44%).

Verificou-se também ¿um aumento significativo¿ no número de crianças com menos de 16 anos e de idosos.

¿Se em 2008 as crianças representavam 15% da população apoiada (¿), em 2013 esta percentagem aumentou para 26% do total¿, sublinha.

A baixa escolaridade continua a ser uma característica dominante, sendo que 52% têm o 1.º ou 2.º ciclo, 16% o 3.º ciclo e 6% têm o ensino secundário.

O número de pessoas com habilitações ao nível do ensino médio e superior aumentou 36%, passando de 183, em 2008, para 248, em 2012.

Das 248 pessoas, 140 têm uma licenciatura ou uma habilitação superior (cinco com mestrado e quatro com doutoramento).

Os recursos económicos destas pessoas provêm sobretudo de apoios sociais, como o Rendimento Social de Inserção (22%), das pensões e reformas (18%) e dos subsídios e apoios institucionais (15%).

Vinte por cento não tem qualquer «rendimento formal», mais 5% face a 2012.

Peditório da AMI arranca quinta-feira

A Assistência Médica Internacional (AMI) inicia na quinta-feira o tradicional Peditório de Rua, que visa a angariação de fundos para apoiar as famílias que diariamente recorrem aos centros sociais da fundação, anunciou a organização.

O 22.º Peditório de Rua, este ano sob o lema «Antes que a casa de mais famílias seja a rua», decorre até domingo e envolve centenas de voluntários em todo o país, adianta a AMI em comunicado enviado à Lusa.