O acidente aéreo ocorrido no Alentejo, no domingo, que provocou um morto e quatro feridos, terá sido provocado pela “desintegração em voo da estrutura da aeronave”, segundo o gabinete que investiga as causas do desastre.

O diretor do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA), Álvaro Neves, revelou à agência Lusa que as averiguações “indicam que a causa principal do acidente terá sido a desintegração em voo da estrutura da aeronave”.

Uma equipa constituída por “algumas dezenas de pessoas”, entre elementos do GPIAA, da GNR e da empresa que operava o avião, está a “bater” a área onde a aeronave caiu, na zona de Canhestros, no concelho de Ferreira do Alentejo, distrito de Beja, em busca dos destroços.

Segundo Álvaro Neves, que excluiu as hipóteses de explosão ou incêndio da aeronave durante o voo, os destroços “estão espalhados por uma área grande, mais ou menos 1.600 metros desde o primeiro ao último destroço”, mas ainda falta encontrar a cauda do avião.

“Já encontrámos as outras peças, a parte do nariz, o motor e as asas, que estão dispersas ao longo desses 1.600 metros. Mas a cauda ainda não e já fizemos muitos quilómetros quadrados” no campo, “no meio das muitas azinheiras e sobreiros” existentes no local, disse.

A cauda, realçou Álvaro Neves, “é uma parte importante da aeronave” e “a resposta para, no fundo, identificar a causa” do acidente, que os investigadores acreditam dever-se à “desintegração estrutural” do avião em pleno voo.

De acordo com os testemunhos dos “paraquedistas que se salvaram”, disse o diretor do GPIAA, “a cauda foi a primeira parte da aeronave a ‘rasgar’ e a saltar fora”.

“Essa parte é mais de metade do avião e precisamos dela para avaliar a estrutura e perceber onde é que começou a ‘rasgar’”, precisou.

A equipa que se encontra na zona vai continuar a “bater” o terreno, em busca dessa parte da aeronave que caiu no domingo, do modelo Pilatus PC6, contando também, agora, ao final da tarde, com o apoio de um avião ultraligeiro: “Vamos tentar ver se o piloto, lá de cima, consegue alguma referência que nos ajude a localizar a cauda”, explicou Álvaro Neves.

Na terça-feira, acrescentou, prosseguem também as investigações no terreno, pois, o GPIAA vai contar com o auxílio de dois engenheiros da empresa Pilatus Aircraft, o fabricante suíço da aeronave.

“Vamos avaliar peça por peça para perceber onde é que foi o princípio da rotura estrutural”, sublinhou.

A aeronave acidentada, com capacidade para 10 pessoas, transportava oito ocupantes e, apesar de ter matrícula alemã e ainda pertencer a um operador privado alemão, o seu usufruto é da responsabilidade do Grupo 7Air, cuja empresa Skyfall, dedicada à atividade de paraquedismo, é que promoveu o voo realizado no domingo.

O acidente provocou a morte do piloto, um belga de 27 anos. Os outros sete ocupantes eram paraquedistas, tendo quatro deles ficado feridos, dois graves e dois ligeiros.

Em comunicado enviado à Lusa, a Skyfall e o Grupo 7Air enalteceram o “profissionalismo e altruísmo” do piloto, afirmando que, com a sua ação, “terá contribuído para que não se registassem mais fatalidades”.

Fonte do Grupo 7Air revelou também à Lusa que o corpo do piloto “foi encontrado com o paraquedas colocado”, equipamento que também estava a ser usado pelos sete paraquedistas que seguiam na aeronave