Os interrogatórios aos 58 arguidos do grupo de motociclistas Hells Angels detidos em Portugal terminaram este domingo cerca das 15:15, no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, depois de três dias de audições perante a juíza Maria Antónia Andrade.

Fonte judicial disse aos jornalistas que o último arguido ouvido pela juíza de instrução ao início da tarde deste domingo falou durante uma hora.

A mesma fonte adiantou que dois arguidos abordaram os factos que lhe estão imputados e outros dois esclareceram situações que constam na investigação.

Estes quatro arguidos foram os únicos que falaram no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa, depois dos restantes 54 se terem remetido ao silêncio perante a juíza Maria Antónia Andrade.

A partir das 09:30 de segunda-feira terá início a sessão em que o Ministério Público vai apresentar a proposta de medidas de coação e os advogados vão contraditar.

Os 58 arguidos que foram ouvidos pela juíza de instrução não estarão presentes. Um 59.º elemento encontra-se detido na Alemanha.

A mesma fonte judicial afirmou que se desconhece ainda se a juíza vai proferir o despacho com as medidas de coação na segunda-feira ou na terça-feira.

O desenrolar dos trabalhos, que vão ocorrer noutro edifício do Campus da Justiça diferente daquele onde tiveram lugar os interrogatórios judiciais - por uma questão de logística -, determinará se o despacho poderá ser elaborado na segunda-feira.

Os detidos estão indiciados por associação criminosa, tentativa de homicídio, roubo, ofensa à integridade física e tráfico de droga.

A investigação do caso dos Hells Angels foi elaborada pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal e pela Unidade Nacional Contraterrorismo da Polícia Judiciária e os mandados de busca e de detenção foram executados na quarta-feira.

 

Veja também: 

 

Advogado diz que investigação "está pouco sustentada"

O advogado de um dos 58 detidos do grupo de motociclistas dos Hells Angels disse que a investigação “está pouco sustentada” e que a PJ poderia ter evitado o ataque de março no Prior Velho.

A Polícia Judiciária tinha o local sob vigilância - isso está documentado no processo - e não fez rigorosamente nada. Não estava lá naquele dia de março”, disse Miguel Fonseca, advogado de um dos detidos no Algarve e que hoje de manhã prestou declarações no Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa.

O advogado referia-se à rixa, no passado mês de março, envolvendo elementos do Hells Angels e de outro grupo motard (Red & Gold) dentro de um restaurante no Prior Velho (Loures), que fez seis feridos.

Miguel Fonseca adiantou que a investigação está “pouco sustentada”, considerando que a “PJ tinha o local sob vigilância e ninguém interveio”.

Isto é um processo de 2017. Os acontecimentos que estamos aqui a falar são de um ato específico e isolado que ocorreu em 2018. O que andaram a fazer desde 2017, nenhuma destas pessoas está aqui indiciada por nenhum facto anterior ao dia do assalto ao restaurante”, disse.

Segundo o advogado, o interrogatório durou cerca de 20 minutos e o seu cliente prestou declarações em tribunal para esclarecer que houve um lapso e que as cinco fotografias apresentadas no processo não o indiciam.

Miguel Fonseca disse também que esta operação teve como “estratégia clara” impedir que este grupo de motociclistas fosse à concentração de Faro, que se realiza a partir de quinta-feira.

Este advogado disse ainda que o seu cliente, que apenas foi confrontado com fotografias, “não faz parte de qualquer gangue motard”.