A entrada em Portugal através dos aeroportos estava hoje de manhã a demorar perto de duas devido a uma adesão quase total à greve dos trabalhadores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), disse à Lusa fonte sindical.

A cumprir o quarto dia de greve, os inspetores do SEF mantêm os níveis «de adesão em massa a rondar os 100%», avançou à Lusa o representante do Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, Acácio Pereira.

«Neste momento [cerca das 09:45 de hoje], está confirmada a adesão a 100% em todas as categorias em Lisboa e Faro e penso que também no Porto», afirmou, admitindo que os níveis de adesão ultrapassaram as previsões do próprio sindicato.

A greve, referiu Acácio Pereira, está a causar atrasos nas partidas de aviões e também nas entradas em território nacional.

«Estamos a falar de períodos de espera superiores a uma hora e meia além do normal, portanto há pessoas que chegam a aguardar duas horas para entrar em território nacional», descreveu o sindicalista, acrescentando que «a própria empresa dos aeroportos anda a passear os passageiros nos autocarros para não os descarregar nas salas de desembarque, tal é a quantidade de passageiros».

O sindicalista adiantou ainda que, no final da greve ¿ que termina hoje ¿ será feita uma avaliação global e admitiu que novas iniciativas de protesto poderão ser adotadas.

«Este nível de adesão demonstra um nível de descontentamento muito grande e isso tem de se traduzir em algo», disse Acácio Pereira, avisando que «a tutela tem de saber ler os números».

O sindicalista criticou também aquilo que chamou de quebra da segurança nos aeroportos, no sábado, quando foi dada ordem para aligeirar os procedimentos de verificação, devido ao número de pessoas que se juntaram nos aeroportos.

«No sábado foi dada indicação para proceder ao controlo aligeirado de passageiros», tendo sido «invocado um artigo do código das fronteiras Schengen» que permite a situação face a imprevistos.

«Do nosso ponto de vista, esse artigo não se aplica porque não estamos a falar de situações imprevistas, já que havia um pré-aviso de greve feito dentro dos prazos legais», defendeu.

A ordem de aligeirar o controlo ¿ que, segundo Acácio Pereira, foi dada pela chefia do SEF ¿ foi explicada pelo facto de o número de passageiros em fila de espera ser tão grande que punha em causa a segurança no aeroporto.

A aglomeração de pessoas teve como base o facto de o sistema de fronteira eletrónico ter sido desligado, obrigando à verificação manual de todos os passaportes. A Situação foi entretanto corrigida no domingo, o que, de acordo com o Diário de Notícias, se deveu a uma ordem direta do ministro da Administração Interna.

«Do nosso ponto de vista, [a adoção do controlo aligeirado] traduz-se numa quebra de segurança», criticou o sindicalista, referindo que a situação é semelhante a franquear a porta.

«Não é introduzido o nome do passageiro ou não é verificado nas bases de dados, só há controlo cuidado para situações específicas, tudo o resto é facilitado. Em vez de demorar 30 ou 40 segundos a controlar um passageiro, demora cinco. É olhar, carimbar e passar», explicou.

A greve dos inspetores do SEF, que termina hoje, decorre nos aeroportos, portos marítimos e centros de cooperação policial e aduaneira (CCPA), mas estão garantidos serviços mínimos.

Os inspetores protestam contra os cortes previstos para as remunerações em 2014, a falta de pessoal e a proposta do Governo do Regime de Contrato de Trabalho em Funções Públicas, que é «omissa» em relação à continuidade dos inspetores como corpo especial de polícia, segundo o Sindicato da Carreira de Investigação e Fiscalização do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.