Uma mulher de 38 anos morreu esta quinta-feira em Peso da Régua devido à «inoperacionalidade» de uma viatura do INEM, denunciou ao IOL PortugalDiário o comandante dos Bombeiros Voluntários da localidade. Segundo António Fonseca, a vítima foi transportada pelos bombeiros até ao hospital, sem que tivesse sido possível o socorro por uma equipa médica.

Os Bombeiros Voluntários (BV) de Peso da Régua foram chamados ao local pelas 12h47 para socorrer a vítima, «uma senhora com várias complicações de saúde resultantes de uma

leucemia», contou o comandante dos bombeiros.

Verificando-se a paragem respiratória da vítima, os bombeiros accionaram o pedido de transporte através da VMER (viatura médica de emergência e reanimação) estacionada no Centro Hospitalar de Vila Real. No entanto, e como explicou António Fonseca, «o estado da ambulância era inoperacional».

O comandante dos bombeiros de Peso da Régua deslocou-se pessoalmente até ao hospital para esclarecer a situação e descobriu que apenas nem o enfermeiro nem o médico da VMER se encontravam disponíveis para serviço.

«Disseram-me que o médico e o enfermeiro só entravam às 14h00», disse António Fonseca, adiantando que «esta é uma situação lamentável e que não pode acontecer».

A senhora deu entrada no hospital já sem vida. Os bombeiros, apesar de terem uma ambulância com todo o equipamento necessário para reanimação, não dispunham de uma equipa médica para assistir a vítima.

Contactado pelo IOL PortugalDiário, o INEM remeteu para o Hospital de Vila Real quaisquer explicações acerca das equipas médicas das VMER. «As equipas médicas são competência de cada hospital», disse fonte do INEM.

O IOL PortugalDiário tentou contactar o Centro Hospitalar de Vila Real/Peso da Régua, mas não recebeu resposta em tempo útil.

Quatro horas morto numa ambulância

Também em Peso da Régua, mas durante a madrugada desta quinta-feira, um homem de 46 anos faleceu à entrada do túnel da A24, depois de uma troca entre a ambulância dos bombeiros e a viatura do INEM.

Segundo o comandante dos BV do Peso da Régua, o túnel de acesso à A24 é um «ponto estratégico» usado para a transferência dos doentes para as VMER sempre que é necessária a intervenção de uma equipa médica durante o percurso até ao hospital.

Em declarações à SIC, a família de Manuel Ferreira disse não perceber a razão da troca entre viaturas. «Se o meu genro entrou para ambulância, por que é que essa ambulância não foi imediatamente directa para Vila Real?», questionou o sogro da vítima.

O comandante dos bombeiros explicou que dado a paragem cárdio-respiratória do paciente foi accionado o pedido de apoio ao INEM. «Seria muito tempo sem respirar», disse António Fonseca ao IOL PortugalDiário, referindo-se à distância entre o local da ocorrência, em Loureiro, e o Hospital de Vila Real.

Apesar das dúvidas da família de Manuel Ferreira quanto à rapidez da assistência, o INEM afirma que «desde o momento da activação até à chegada ao local definido, decorreram precisamente 14 minutos, sendo que se está a falar de uma distância de aproximadamente 31 quilómetros».

As manobras de reanimação da vítima prolongaram-se «durante cerca de uma hora», mas «não foi possível reverter a situação de paragem cárdio-respiratória».

A família da vítima queixa-se ainda do tempo que teve de esperar no posto da GNR local para que o Ministério Público decidisse a realização da autópsia. O que aconteceu apenas depois de uma longa espera de «três horas».

À SIC, os familiares de Manuel Ferreira disseram mesmo que a situação teria sido diferente se as urgências do hospital da Régua estivessem abertas durante a noite.