As pessoas afetadas pelo incêndio de Pedrógão Grande reviveram o 17 de junho com os fogos recentes, havendo um abalo da sua estabilidade emocional, afirmou a coordenadora para a saúde mental na zona da catástrofe.

"Houve uma regressão relativamente à estabilidade emocional. Face à situação similar, as pessoas voltaram a reviver a dimensão da catástrofe por que tinham passado", disse à agência Lusa Ana Araújo.

Segundo a responsável, "muitas das pessoas" que estavam a ser seguidas "voltaram atrás no processo de recuperação", sendo que a equipa de saúde mental está "a desenvolver estratégias para que as coisas voltem a estabilizar um pouco mais".

"As pessoas que foram vítimas de perdas de familiares e amigos estão identificadas e estamos a tentar aproximar as consultas e a fazê-las com mais periodicidade."

Em Nodeirinho, voltou-se atrás no processo de recuperação, disse à Lusa Dina Duarte, habitante daquela localidade e membro da Associação de Vítimas do Incêndios de Pedrógão Grande (AVIPG).

"Voltámos todos atrás. Voltámos a reviver o que se passou a 17 de junho. Há uma profunda consternação e revolta. Em Castanheira de Pera, é o mesmo sentimento. Voltámos todos a chorar e a chorar imenso."

Segundo a presidente da associação, Nádia Piazza, já houve uma reunião com a coordenadora da equipa de saúde mental face aos efeitos dos incêndios de dia 15.

"Há um cair de etapa, um voltar atrás, não só com os familiares das vítimas, mas com a própria população", notou Nádia Piazza.