O socorro às vítimas dos incêndios no concelho de Mira está a ser dificultado por problemas na rede de comunicações usada pelos Bombeiros, Proteção Civil e autarquia, disse esta terça-feira à agência Lusa o presidente da Câmara.

Raul Almeida diz mesmo que estes problemas nas comunicações ajudarão a explicar o facto de ainda não ter sido contactado por qualquer responsável da Administração Central para fazer o balanço do impacto dos incêndios no concelho.

Se calhar, não conseguem contactar comigo. Quando voltar a poder usar o telefone vou ser inundado de mensagens", ironiza o autarca.

Fazer uma chamada por telemóvel em Mira é praticamente impossível em grande parte do concelho, sobretudo através da rede Meo, em muitas zonas as linhas terrestres não funcionam, e há freguesias inteiras sem televisão ou internet.

Desde domingo à noite que temos grandes problemas nas comunicações. Bombeiros, Proteção Civil e autarquia usam telefones [com prefixo] 96, cuja rede deixou de funcionar por causa dos incêndios. Ainda não conseguimos obter uma resposta da empresa sobre quando será reposta a normalidade", queixa-se Raul Almeida, acrescentando que a autarquia não conseguiu até agora chegar à fala com o engenheiro da Meo responsável pela instalação no concelho do sistema de fibra.

Para ultrapassar o problema, a autarquia comprou telefones de outra operadora e está a usar sistemas alternativos, como "walkie talkie" e rádio.

Os serviços da autarquia ainda não têm estimativas sobre os prejuízos provocados pelos fogos, até porque a prioridade está a ser dada ao socorro às populações. Os fogos em zona florestal que persistiam em diversos pontos de concelho na segunda-feira foram praticamente extintos pela chuva que caiu durante a noite, mas na zona industrial ainda há fábricas a arder.

Os serviços da autarquia têm prestado especial atenção à população idosa do concelho, havendo por outro lado muitas situações de mortes de animais de criação, que acabaram encurralados pelas chamas.

Durante esta terça-feira de manhã foi montado um perímetro de segurança na zona industrial, onde matérias-primas resinosas e plásticos ainda alimentam as chamas. No total foram afetadas sete empresas, num total de 150 a 200 trabalhadores. Só na Siro, um dos maiores empregadores do concelho, ficaram em risco cem postos de trabalho, embora as primeiras notícias apontem para que a empresa retome rapidamente a laboração.

Ao contrário do que chegou a ser noticiado, a Pescanova, a sul da praia de Mira, não chegou a ser afetada pelas chamas, graças à construção de aceiros que impediram o avanço do incêndio.

Aos poucos, frisa Raul Almeida, "a vida volta à normalidade". As escolas reabriram, o Centro de Saúde permanece com horário alargado e os serviços sociais prestam assistência nas freguesias, havendo poucos casos de desalojados.

"Ainda não tivemos tempo para nos sentarmos a avaliar prejuízos, mas vamos ter de começar a tratar disso", diz Raul Almeida, que preside a um concelho cuja extensa mancha florestal foi fortemente afetada pelas chamas.