Um dos membros do conselho nacional do ambiente apontou a falta de diferenciação regional nas medidas da reforma florestal, levando a que as zonas de intervenção das áreas com menos fogos sejam mais beneficiadas.

"Um dos aspetos mais negativos, talvez, das propostas (de reforma florestal) é não haver diferenciação regional das medidas, porque o Minho é diferente da Beira Interior, do Alentejo, do Algarve", disse João Guerreiro, um dos coordenadores do parecer do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS) sobre a proposta de reforma das florestas que o Governo deverá aprovar nos próximos dias.

O professor da Universidade do Algarve, que falava à Lusa no final de uma conferência de imprensa sobre aquele parecer, referiu-se a uma "adaptação das diversas medidas ao conjunto do território de uma forma cega".

Verificamos que as Zonas de Intervenção Florestal nas áreas onde os fogos porventura são menos frequentes, que é o Alentejo, são as mais beneficiadas quando comparadas com as zonas do norte e da Beira Interior."

Para este especialista, deveria haver uma diferenciação de políticas públicas para compensar as diferenças entre as várias regiões do país "porque é difícil compensar".

As políticas públicas é que têm essa função de intervir nas áreas, florestais ou outras, em que o mercado não funciona, isso é fundamental."

João Guerreiro fez questão de realçar que a proposta do Governo, que esteve em consulta pública, tem alguns pontos positivos, mas apresenta questões mais críticas, como aquela da falta de diferenciação entre regiões ou da ausência de qualquer referência às mudanças do clima.

As alterações climáticas, explicou, têm de ser contempladas num planeamento a longo prazo e o parecer do CNADS integrou este tipo de medidas.

"Por exemplo, em novos povoamentos florestais, tem de se perceber qual o efeito climático dentro de 30, 40 ou 50 anos", em cada uma das zonas do país, para poder ajustar espécies ao território, acrescentou.