A Câmara de Arouca e a empresa Águas do Norte vão descontar nas faturas de seis localidades o consumo excessivo resultante do combate ao incêndio de outubro, revelou hoje a autarquia, estimando serem 400 os clientes abrangidos pela medida.

Em causa estão consumidores das freguesias de Chave, Mansores, São Miguel do Mato, Escariz, Fermedo e Tropeço, que a 15 de outubro gastaram milhares de metros cúbicos de água para defender as suas propriedades, ajudando assim ao trabalho das corporações de bombeiros.

"As pessoas usaram água para proteger os seus bens, nomeadamente através da rega das suas casas, o que levou a um aumento no valor da sua fatura de outubro. Se estas pessoas foram solidárias com os outros, também temos agora que ser solidárias com elas e daí não as podermos penalizar pelo que fizeram para o bem comum ", afirma a presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém.

Nas seis freguesias afetadas pelos fogos do dia 15 estão registados 1.614 clientes, de entre os quais a presidente da câmara antecipa que possam ser 20% a 25% os que ajudaram a combater os fogos, "regando diretamente as suas casas e terrenos ou enchendo as suas cisternas para auxiliarem os bombeiros".

Os clientes que agora pretendam beneficiarem do desconto relativo ao excesso de água consumido nesse dia terão para o efeito que dirigir-se à loja das Águas do Norte na vila de Arouca, solicitando aí a "correção parcial dos consumos" no mês de outubro.

Para isso, os serviços da empresa irão começar por verificar se houve efetivamente um consumo anormal entre os dias 14 e 16, analisando para o efeito "o histórico das três últimas leituras anteriores ao mês de agosto" - deixando de fora esse mês específico, que, por ser tradicionalmente o mais quente e seco, já por normal exibe consumos acima da média anual.

Nos casos em que o contador da água tenha sido substituído recentemente, "deverá aplicar-se a média dos consumos após a instalação do novo equipamento, até à última leitura registada antes do dia 14 de agosto".

Feitas as contas, será então creditada ao cliente "a diferença entre o consumo efetivo e o consumo médio apurado", o que poderá implicar a liquidação da fatura integral atual, com o valor pago em excesso a transitar em crédito para os meses seguintes.

Margarida Belém afirma, contudo, que, quando os valores em causa forem muito elevados, "a situação se procurará resolver logo na hora, para as pessoas não se verem obrigadas a disponibilizar verbas que podem não ter ou que lhes fazem muita falta".

"É que, se alguém está habituado a pagar 12 euros de água e de repente recebe uma fatura de 90, isso pode fazer muita diferença na gestão mensal das suas contas", observa.

Em todo o caso, o diferencial entre o consumo médio e o excesso registado entre os dias 14 e 16 de outubro será sempre suportado pela Águas do Norte, qualquer que seja o número de clientes que venha a solicitar a correção da fatura de outubro.

"Vai ser a empresa a assumir esse encargo, numa manifestação de solidariedade para com os utentes e para com o próprio concelho", remata a presidente da Câmara de Arouca, município com tem com a concessionária tem um contrato de parceria para exploração e gestão do sistema de águas.