Mais de 200 bombeiros combatiam às 06:30 o incêndio na freguesia de Roças, concelho de Arouca, distrito de Aveiro, encontrando-se ainda algumas casas isoladas em risco, adiantou à Lusa o adjunto operacional Carlos Guerra.

“Durante a noite, este incêndio obrigou os bombeiros a defender muitas habitações dispersas pela região. Este foi um dos problemas que encontrámos, pois tivemos de andar ‘a saltar’ de habitação em habitação, sendo que algumas delas sofreram danos severos”, adiantou à agência Lusa Carlos Guerra, da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

De acordo com o adjunto operacional, este incêndio, que tem várias frentes ativas, nas freguesias de Vila, Felgueira e Rossas, concelho de Arouca, e teve início no sábado às 19:06, mobilizava esta segunda-feira de manhã 243 operacionais, com o auxílio de 79 veículos.

“Arouca está a merecer-nos alguma preocupação. Estamos perante condições meteorológicas adversas no local. Calor, ventos com alguma intensidade e combustíveis finos com elevado grau de secura e que permitem propagação rápida do incêndio”, disse.

A acrescer a este cenário, salientou Carlos Guerra, “os bombeiros tiveram de defender muitas habitações que estavam dispersas pela serra no caminho do incêndio”.

“Algumas não serão primeira habitação, mas sim cómodos agrícolas, habitações de segunda linha que arderam ou sofreram danos graves. Felizmente não há feridos a registar. Tivemos apenas algumas intoxicações, mas nada de preocupante”, explicou.

De acordo com o adjunto de operações da ANPC, este fogo, que teve início no sábado, tem muitas frentes ativas.

“Este incêndio partiu-se e juntou-se com outro que deflagrou em Vale de Cambra. Os dois fazem agora um só incêndio. No fim de semana chegou a ter seis frentes ativas”, disse.

Carlos Guerra adiantou que no terreno estão agora a ser feitas avaliações atmosféricas para enviar dois aviões pesados para o local.

“A ANPC decidiu também prolongar o estado de alerta nível laranja para hoje devido às condições extremamente adversas”, disse. Esta determinação significa que o Dispositivo vê aumentados os seus efetivos e a sua disponibilidade e consequentemente a sua capacidade de resposta para fazer face a todas as ocorrências.

Autarca preocupado com falta de meios para substituir bombeiros

O presidente da Câmara de Arouca, José Artur Neves, admitiu que o incêndio que lavra na Serra da Freita há quase 40 horas pode agravar-se, adiantando que não estão garantidos meios para substituir os bombeiros que estão cansados.

"Estamos com muita dificuldade. Não está fácil de controlar e sentimos que a situação se pode agravar mesmo. Os bombeiros estão a ficar exaustos e os meios de substituição não estão precavidos ou pelo menos garantidos", disse o autarca.

O presidente da Câmara de Arouca, distrito de Aveiro, referiu que durante a madrugada houve reacendimentos e os incêndios "foram proliferando de uma forma quase livre", porque os bombeiros estiveram concentrados nas zonas habitadas.

José Artur Neves mostrou-se ainda preocupado com as condições atmosféricas previstas para esta segunda-feira, adiantando que são esperadas "temperaturas altíssimas, baixa humidade do ar e ventos".

"A zona é muito má e sentimos muita dificuldade em acabar com o número de focos de incêndio que estão ativos", disse o autarca, acrescentando que "há pressão sobre lugares como Ameixieira, Souto Redondo, Provisende e Mizarela".

De acordo com o presidente da Câmara, até ao momento não houve casas atingidas. "Houve de facto palheiros atingidos, currais, mas casas de habitação não", adiantou.

"Tudo isto se passa no sopé da Serra da Freita onde temos muitas aldeias serranas com muito gado e a grande preocupação agora é mesmo onde é que eles tem o pasto para os seus animais", disse o autarca.

Quanto à paisagem, José Artur Neves diz que felizmente a natureza tem uma capacidade de regeneração extraordinária.

"É evidente que no início há um choque tremendo, mas dentro de três ou quatro meses, com as primeiras chuvas, quase não vamos sentir que houve incêndio", explicou.

O fogo que deflagrou cerca das 19:00 de sábado, na freguesia de Rossas, desenvolve-se em sete frentes.

De acordo com a página da internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), atualizada às 09:15, o fogo está a ser combatido por cerca de 250 operacionais, auxiliados por 82 meios terrestres.

Outros incêndios ativos

Além do incêndio em Arouca, Carlos Guerra, da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), disse à Lusa que há também um incêndio que deflagrou esta segunda-feira às 04:09 em Préstimo e Macieira de Alcova, concelho de Águeda, distrito de Aveiro, que mobiliza 76 operacionais e 26 meios terrestres.

“Este incêndio está a preocupar os bombeiros. Nasceu já hoje e com uma violência tremenda que está a obrigar a reforçar com meios vindos dos distritos de Viseu e Coimbra”, disse.

Carlos Guerra destacou também incêndios nos distritos de Viana do Castelo, na freguesia de Covas, Vila Nova de Cerdeira, com 75 operacionais, com o auxílio de 26 meios terrestres.

ÀS 07:30, a ANPC destacava ainda na sua página na Internet fogos em Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, com 67 bombeiros e 21 meios, em Trancoso na Guarda, que está a ser combatido por 109 operacionais, com o auxílio de 35 meios, e em Barcelos, distrito de Braga, com 160 operacionais e 51 meios.

Carlos Guerra disse ainda que o incêndio que lavrava há vários dias no Parque Nacional da Peneda-Gerês foi dominado esta segunda-feira e está em fase de resolução.

“Este incêndio está dominado, mas às 04:00 ainda tinha 50 operacionais no terreno em operações de vigilância e rescaldo”, conclui.