A população tem apenas dois números de telefone, o geral da GNR e o SOS Trânsito, para saber em tempo real quais as estradas cortadas e caminhos alternativos para fugir aos incêndios, revelou à Lusa a GNR.

Domingo é já considerado o pior dia do ano em matéria de incêndios, com mais de 500 ocorrências, que provocaram pelo menos 31 mortos e 51 feridos, segundo um balanço feito esta segunda-feira de manhã pela Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC).

Questionado pela Lusa sobre se há alguma plataforma online que disponibilize dados atualizados sobre a situação das estradas cortadas, o capitão Bruno Ribeiro, do gabinete de imprensa da GNR, afirmou que “é impossível ter online e em tempo real a situação das estradas, porque a situação é muito variável”.

Segundo o capitão da GNR, houve momentos, ao longo do dia de domingo, em que a GNR tinha “listagens de Excel com 35 estradas cortadas e outros momentos em que havia mais de 60 estradas cortadas", desde autoestradas, a estradas nacionais ou caminhos locais.

Neste momento, têm de ligar para o número geral da GNR (213217000) ou para o SOS Trânsito (808201855)”, admitiu Bruno Ribeiro, sublinhando que a maioria das chamadas recebidas foi feita por jornalistas e que "a população utiliza a informação disponibilizada pelos órgãos de comunicação social".

A Lusa contatou uma família que está em São Pedro do Sul, distrito de Viseu, uma das zonas mais afetadas pelos incêndios, que contou que tem usado o Google Maps para perceber qual a situação das estradas.

“Viemos passar o fim de semana e ainda não regressámos a Coimbra porque não conseguimos perceber se as estradas estão cortadas ou não. As notícias que lemos não têm informação específica sobre a zona onde estamos e não temos a certeza se estarão atualizadas”, contou à Lusa Luis Quinteiro.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo provocaram pelo menos 31 mortos e dezenas de feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, no verão, um fogo que alastrou a outros municípios e que provocou 64 mortos e mais de 200 feridos.