A Associação de Oficiais das Forças Armadas garante que a Força Aérea não tem pessoal suficiente para gerir os meios aéreos no combate aos incêndios, conforme foi anunciado pelo primeiro-ministro no sábado, após o Conselho de Ministros extraordinário.

Segundo o tenente-coronel António Mota, entrevistado na TVI24, as Forças Armadas têm sido “maltratadas” pelos Governos nos últimos anos e têm, neste momento, “4.000 efetivos a menos do que o que está aprovado”, tendo já neste momento “dificuldades” em desempenhar certas missões.

“O pessoal que temos terá de ser devidamente formado para combater incêndios. Mas para formar pessoas será preciso que as pessoas existam e neste momento não existem.”

A Associação de Oficiais das Forças Armadas exige, portanto, um “investimento muito forte” e a criação de incentivos para a entrada de mais efetivos.

O tenente-coronel António Mota sublinhou também que tem “algumas dúvidas” quanto ao que foi anunciado por António Costa, nomeadamente se isso significará a “transferência” de aviões e helicópteros da Autoridade Nacional de Proteção Civil para a Força Aérea.

O presidente desta associação acrescentou ainda que a Força Aérea “não está vocacionada para fazer gestão de contratos privados”, como parece ter indicado o primeiro-ministro no sábado.

“Grande parte do problema [dos meios aéreos] reside precisamente nos contratos privados, por isso não nos passa pela cabeça que o Governo passe a batata quente para as Forças Armadas.”