A frente de fogo do incêndio que deflagrou na sexta feira no concelho de Monchique, distrito de Faro, aproximou-se desta vila e a Proteção Civil admitiu a existência de casas ardidas.

Às 7:00 desta segunda-feira, o incêndio de Monchique era o único em curso no país e as chamas estavam a ser combatidas por mais de 1000 operacionais, apoiados por 324 viaturas e um meio aéreo. 

Este domingo, o fogo chegou à entrada da vila de Monchique, com as autoridades a obrigarem à evacuação de várias habitações nas imediações da vila. 

O Plano Municipal de Emergência está ativado desde a madrugada de sábado.

Potenciadas pelas repentinas mudanças de direção do vento, pelas temperaturas elevadas e pela baixa humidade, as chamas avançaram sobre a encosta sudeste da vila de Monchique, para onde várias colunas de meios terrestres de combate foram deslocalizadas.

Num ponto de situação, feito em conferência de imprensa, pouco depois das 13:00 de domingo, o comandante Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Faro, Vaz Pinto, deu conta que, até àquele momento, tinham sido deslocadas mais de uma centena de pessoas, de forma preventiva.

Vaz Pinto explicou que a Proteção Civil retirou 110 pessoas (79 em dez sítios e lugares no concelho de Monchique (Taipa, Foz Carvalhoso, Ladeira de Cima, Pedra da Negra, Foz do Lavajo, Corjas, Foz do Farelo, Ribeira Grande e Portela da Viúva) e 31 em cinco sítios no concelho de Odemira (Varja do Carvalho, Moitinhas, Barreirinhas, Vale das Hastes e Craveiras).

Por outro lado, tinham sido assistidos 30 operacionais, com sintomas relacionadas com o calor e com o fumo, informou ainda o comandante operacional.

Proteção Civil admite existência de casas ardidas

O comandante operacional nacional da Proteção Civil, Duarte da Costa, admitiu na noite de domingo a possibilidade de haver casas queimadas.

Num conjunto de pequenas povoações ao longo do incêndio, pode ter havido casas isoladas que podem ter sofrido as ações das chamas”, disse o comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Proteção Civil, Duarte da Costa, durante uma conferência de imprensa, na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), em Carnaxide, Oeiras, onde foi feito o ponto de situação sobre as operações dos últimos dias.

O comandante operacional nacional (CONAC) da Proteção Civil contou que o incêndio chegou com a sua frente mais ativa à bacia de uma barragem, uma “boa condição” para que o fogo "pare aí e não haja mais projeções", acrescentando Duarte da Costa que o combate noturno seria também feito “com as forças que neste momento se deslocam de todo o país para a região algarvia”, aumentando a quantidade de operacionais no teatro de operações.

Nas próximas 24 horas “vamos tentar aproveitar aquilo que é uma inversão térmica das condições atmosféricas, muito adversas nas últimas noites, aproveitar o aumento da humidade relativa que esta noite se prevê que chegue aos 50%, e um ligeiro abaixamento de temperatura, com todos os meios que se estão neste momento a dirigir para sul, nomeadamente cinco grupos de combate, força especial dos bombeiros, Forças Armadas e GNR, para que possamos durante a noite conseguir conter finalmente este incêndio que já dura há tempo demais”, explicou o CONAC.

O comandante operacional nacional da Proteção Civil disse que tudo seria feito para que o incêndio fosse dominado durante esta noite, apesar de não estarem reunidas as melhores condições.

Com alguma prudência eu diria que as situações ideais para o controlo de incêndio serão, não hoje à noite, mas na noite de amanhã, em que já temos 100% de humidade. Mas vamos fazer todos os possíveis, com toda a gente que temos a trabalhar para conseguirmos controlar o incêndio que deflagra neste momento naquela região (…) Temos um incêndio grande, este não o conseguimos dominar, vamos fazer tudo para o dominarmos hoje à noite”, assegurou o CONAC.

Duarte da Costa apelou às populações para que “não entrem em pânico” e que respeitem as ordens dos operacionais no terreno.

O responsável classificou o incêndio de Monchique como “preocupante, mas controlado”, destacando o mais importante: “as pessoas estão salvaguardadas”.

“Total confiança” na Proteção Civil e nos operacionais

O ministro da Administração Interna manifestou “total confiança e solidariedade” na estrutura da Proteção Civil e nos milhares de operacionais que estão a combater os incêndios.

Queria apenas, neste momento, transmitir uma manifestação de total confiança e de total solidariedade nos milhares de operacionais dos bombeiros, da GNR, das Forças Armadas, de toda a estrutura de Proteção Civil, das entidades que têm cooperado no terreno” e sublinhar a “articulação exemplar com a Câmara Municipal de Monchique”, afirmou Eduardo Cabrita, na noite de domingo, na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil, em Carnaxide, Oeiras.

Segundo o governante, que falava durante uma conferência de imprensa, na qual foi feito o ponto de situação sobre as operações dos últimos dias, isto “reflete a capacidade que o sistema de Proteção Civil demonstrou ao longo destes dias de alerta especial em que se verificaram no país as temperaturas mais elevadas de que há registo em grande parte das estações meteorológicas do contingente”.

Assim, acrescentou o ministro, “foi possível, num contexto de ocorrência de mais de seis centenas de incêndios rurais ao longo destes dias de alerta especial que, neste momento, as atenções estejam concentradas exclusivamente em dois pontos: em Marvão e, fundamentalmente, em Monchique”.

Eduardo Cabrita salientou que “a prioridade é a salvaguarda das pessoas”, acrescentando que “isso tem sido feito”.

O ministro da Administração Interna deixou ainda uma mensagem de reconhecimento às populações afetadas pelo incêndio de Monchique.

O reconhecimento pela compreensão, pela forma ordeira como participaram nesse esforço de evacuação. Em toda esta região, o princípio aldeia segura, pessoas seguras, está a ser posto em prática. Ele foi testado, ele foi difundido, as autarquias locais são parceiras fundamentais, os agentes locais de Proteção Civil estão na primeira linha deste esforço”, declarou Eduardo Cabrita.

O fogo no concelho de Monchique está ativo desde as 13:30 de sexta-feira e obrigou na noite de domingo à retirada da população para o centro da vila, por questões de segurança, tendo a Proteção Civil admitido que possa haver casas ardidas.

UE está pronta para ajudar

O comissário europeu para a Ajuda Humanitária e Gestão de Crises, Christos Stylianides, declarou que a União Europeia está a acompanhar atentamente a situação do incêndio na zona de Monchique e está “pronta para ajudar”.

Na rede social Twitter, o comissário indicou também que “Portugal pediu a produção pelo Serviço Copérnico de Gestão de Emergências de mapas satélite dos incêndios que estão a afetar a zona de Monchique”.