Centenas de casas, “muitas de primeira habitação”, foram destruídas pelos incêndios de domingo na Pampilhosa da Serra, disse hoje o presidente da Câmara à agência Lusa.

José Brito adiantou que quatro frentes de fogo continuam hoje a devastar este concelho do distrito de Coimbra, onde “uma área enorme” foi devastada à passagem das chamas, que cercaram a vila e entraram mesmo no centro.

Temos mais de 50 aldeias atingidas e algumas centenas de casas ardidas, muitas de primeira habitação, mas mais de segunda”, acrescentou.

O autarca do PSD informou que está desaparecida uma mulher de 70 anos, residente no lugar de Ribeira de Praçais. “Não sabemos se está viva ou não”, afirmou.

Temos ainda muito fogo e ninguém nos ajuda”, criticou José Brito, indicando que os incêndios que lavram ainda no concelho estão a ser combatidos apenas com meios de socorro locais.

O fogo destruiu o estaleiro da Câmara Municipal, incluindo uma galera, máquinas e equipamentos diversos.

Estando “as coisas mais serenas” na região, mais de 24 horas após aqui terem deflagrado vários fogos, incluindo o que persiste na Lousã com alguns reacendimentos, José Brito realçou que o combate às chamas na Pampilhosa da Serra está a ser feito “sem qualquer reforço do exterior”.

Ao todo, desde ontem (domingo), são apenas 57 operacionais para um concelho com 400 quilómetros quadrados", entre bombeiros voluntários da Pampilhosa, sapadores florestais e elementos do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro (GIPS) da GNR, explicou.

Segundo o autarca, em cada povoação ameaçada pelo avanço das chamas, durante o período mais difícil dos incêndios, os serviços da Proteção Civil Municipal optaram por, dentro do possível, concentrar os moradores nas casas de convívio, nas igrejas e capelas.

Às 17:45 de hoje, referiu, as quatro frentes de fogo que progrediam neste município montanhoso do interior do Centro de Portugal, já flagelado este ano por outros incêndios, situavam-se nas proximidades das povoações de Sobral Magro, Gavião, Vale Grande e Camba.

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 35 mortos e dezenas de feridos, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O primeiro-ministro, António Costa, anunciou que o Governo assinou um despacho de calamidade pública, abrangendo todos os distritos a norte do Tejo, para assegurar a mobilização de mais meios, principalmente a disponibilidade dos bombeiros no combate aos incêndios.

Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, no verão, um fogo que alastrou a outros municípios e que provocou 64 vítimas mortais e mais de 200 feridos.