Várias aldeias do concelho de Gavião, distrito de Portalegre, continuavam na noite de sexta-feira ameaçadas pelo fogo, que lavra no município desde quinta-feira, apesar do "esforço titânico" dos bombeiros. José Pio, em direto na 25.ª Hora, revelou ainda que sete pessoas ficaram feridas e que a aldeia de Cadafaz, já na margem sul do Tejo também teve de ser evacuada, à semelhança de Torre Cimeira e Torre Fundeira na margem norte.

Queimaduras e entorses" foram as mazelas sofridas por cinco bombeiros e dois populares, explicou José Pio, que teme agora durante a madrugada de sábado pelas aldeias de Atalaia, Degracia, Cadafaz, Belver e Arriacha.

Essas são algumas das povoações que nas últimas horas mais preocupações têm dado aos 482 operacionais, apoiados por 161 meios terrestres, que combatiam as chamas no concelho de Gavião, pelas 23:30.

Ao inicio desta noite, pelas 20:00, a Câmara de Gavião decidiu acionar o Plano de Emergência Municipal, devido à gravidade dos incêndios, que atravessaram o rio Tejo da margem direita para a esquerda, onde se situa a sede de concelho.

A ser uma projeção, percorreu mais de dois quilómetros, vinda de uma cova", expôs José Pio na TVI24, considerando que "é quase impensável" uma propagação natural do fogo.

José Pio referiu que a situação no município "ainda é muito grave" e que deseja que "a humidade da noite possa ajudar os bombeiros a dominar o incêndio".

Os bombeiros têm aqui muitas horas de trabalho. Têm feito um esforço titânico para evitar que as chamas avancem. Infelizmente a situação mantém-se na mesma e temos situações muito graves. Neste momento ainda existem várias aldeias em perigo", apontou o autarca.

Além da aldeia de Cadafaz, durante a tarde já tinham sido retiradas pessoas das aldeias de Torre Cimeira e Torre Fundeira e encaminhadas para as instalações do lar de idosos de Belver e para a Santa Casa da Misericórdia de Gavião.

Calamidade pública

O presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela, quer ver reconhecido o Estado de Calamidade Pública no concelho onde o incêndio que lavra desde terça-feira está esta noite preocupante nas localidades de Ortiga e Vale de Abelha.

O abrandamento noturno da força do incêndio que lavra no concelho desde terça-feira à noite não descansa o presidente do concelho onde “ontem [quinta-feira] a situação também melhorou à noite e hoje de manhã”, mas, durante a tarde, o fogo “reatou ainda com mais força”, afirmou Vasco Estrela.

Estamos a chegar ao nosso limite e já não há muito por onde arder”, afirmou o autarca à Lusa, estimando que as chamas tenham já consumido “entre nove a 10 mil hectares de floresta”, a somar aos “18 mil que já tinham ardido há duas semanas” e que deixam Mação com 80% da área do concelho queimada.

Os prejuízos não estão ainda quantificados, mas o presidente da autarquia teme “prejuízos económicos muito elevados na maior riqueza produtiva do concelho”, para o qual reclama “uma atenção especial”.

Seria uma injustiça inqualificável que não tivéssemos tratamento similar ao de outros concelhos afetados pelos incêndios”, afirmou, reclamando que seja “reconhecido o Estado de Calamidade Pública” e que o município “tenha as mesmas prerrogativas que Pedrógão Grande, por exemplo, em termos de apoio do Portugal 2020”.

No concelho de Mação, a situação estava, às 23:30 “mais calma devido ao cair da noite, mas em Ortiga e Vale de Abelha as coisas estão ainda bastante preocupantes”, considerou o presidente da Câmara.

Em Ortiga, as chamas “entraram esta tarde literalmente pela povoação dentro e estamos afazer tudo para evitar riscos para a população”, afirmou o autarca, temendo igualmente que o foco de incêndio que lavra esta noite em Vale de Abelha “possa trazer problemas”.

No vizinho concelho de Sardoal, onde as chamas obrigaram a evacuar as aldeias de Vale das Onegas, Saramaga e Tojeira, a noite está também hoje a revelar-se “mais calma” e sem “foco ativo”, informou Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal.

Ainda assim, a Câmara está a “trabalhar na abertura de aceiros” e tem “meios pré-posicionados na mancha verde concelhia”, na zona de Monte Cimeiro, onde, se as chamas chegarem, o autarca quer ter “capacidade de resposta para as travar o mais rapidamente”.

De acordo com a página na Internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil, o incêndio em Mação deflagrou às 00:01 de quarta-feira e mobilizava às 23:30 de hoje 896 operacionais e 260 meios terrestres.