A água utilizada pelos municípes de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera, durante o combate ao incêndio de 17 de junho, não vai ser cobrada. A decisão foi tomada pelas câmaras municipais.

"Vamos fazer uma média dos consumos dos primeiros cinco meses do ano e o valor que estiver a mais no mês de junho será assumido pela autarquia", explicou à agência Lusa Jorge Abreu, presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos.

O autarca anunciou ainda que os três municípios deliberaram também reduzir as tarifas fixas de água, saneamento e resíduos para os habitantes que utilizaram a água da rede pública de abastecimento para defender as suas habitações e haveres.

Esta é, explicou o autarca, uma medida "mais justa" para fazer face a quem não abandonou as suas casas e as conseguiu salvar.

É uma forma de as compensar"

Estima-se que em causa possa estar uma isenção de "cinco ou seis euros" na fatura de cada consumidor referente ao mês de junho.

Os fogos, que provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos, só foram extintos uma semana depois. Terão afetado aproximadamente 500 imóveis, 205 dos quais casas de primeira habitação.

Os prejuízos diretos dos incêndios ascendem a 193,3 milhões de euros, estimando-se em 303,5 milhões o investimento em medidas de prevenção e relançamento da economia.

PS garante apoio

Entretanto, e ainda a propósito do apoio às populações, o presidente do grupo parlamentar do PS, Carlos César, garantiu que não serão abandonadas.

Nós somos solidários com o nosso país e, neste caso como em outro qualquer, não deixaremos as pessoas sós e a recorrerem à banca sem a proteção, defesa e ajuda do governo".

Na sua intervenção na apresentação da recandidatura de Vítor Figueiredo à Câmara de S. Pedro do Sul, Carlos César aludiu às cheias que assolaram ao Açores, quando a coligação PSD-CDS/PP estava no Governo.

"Quando vejo agora o PSD e o CDS instar o Governo a tudo resolver de um dia para o outro, lembro-me como o Governo do PSD e CDS reagiu, por exemplo, às calamidades naturais que assolaram os Açores, com fortes prejuízos. Disse aos açorianos vão à banca, que é como quem diz, resolvam vocês os vossos problemas", referiu, citado pela Lusa.

De acordo com o presidente do PS e antigo presidente do Governo Regional dos Açores, o atual executivo saberá reconstruir o que é possível, devolvendo a normalidade às pessoas e procedendo a uma "reabilitação exemplar". "Ajudaremos as pessoas, como já o estamos a fazer, procurando fazê-lo depressa e bem".

Para Carlos César, esta é mesmo uma obrigação e um dever perante todos aqueles que foram prejudicados.