Há pelo menos quatro a cinco pessoas ainda em risco de vida, entre os 38 feridos no incêndio que provocou oito mortos, na associação cultural e desportiva de Vila Nova da Rainha, em Tondela, na noite de sábado. Entre o total de feridos, 22 são graves e sete muito graves, todos hospitalizados. A PJ está no local a realizar perícias.

A gravidade dos ferimentos em 16 pessoas - 15 adultos e uma criança - levou mesmo à sua transferência para unidades de queimados em Lisboa e no Porto. O diretor clínico do Hospital São Teotónio, em Viseu, Cílio Correia, indicou que entre estes feridos mais graves, quatro a cinco ainda correm risco de vida. Dois deles estão nos cuidados intensivos, em Viseu, e têm entre 60 e 70 anos. 

Estão em causa pessoas que têm "queimaduras muito significativas", para além de outros problemas de saúde de que já padeciam e que vieram agravar o seu estado clínico, como amputações e obesidade mórbida.

A ver vamos com a evolução. Para já precisam os dois doentes nos cuidados intensivos precisam de suporte ventilatório. Têm queimaduras das vias respiratórias. Neste momento, é prematuro estar a dizer mais. São doentes de risco, correm sério risco e, inclusive, podemos ter necessidade de ter de os transferir".

Detalhes sobre os 16 feridos que foram enviados para estas outras unidades hospitalares:

  • cinco para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra
  • três para o Hospital de São João, no Porto
  • dois para o Santo António, no Porto
  • um para a Prelada, no Porto
  • dois para o Santa Maria, em Lisboa
  • dois para o São Francisco Xavier, em Lisboa
  • uma menor (de 15 anos) para o Dona Estefânia, em Lisboa

AO MINUTO: todos os desenvolvimentos

Só no hospital São Teotónio continuam internadas 13 pessoas, todas com mais de 50 anos, algumas delas com mobilidade reduzida. Duas destas pessoas estão nos cuidados intensivos, ventilados. Há duas pessoas na unidade de decisão clínica, sete doentes no otorrino, que tiveram de ser submetidos a cirurgias, e dois doentes na cirurgia B. 

"Os doentes que inspiram mais cuidados são efetivamente, aqueles que estão ventilados. A sua evolução dependerá, durante o dia, da situação de podermos ou não acionar outros meios. Mas, neste momento, a situação está estável. Depois das visitas médicas, se verá o que se fará a seguir".

Queimaduras nos braços e na face e tronco, dado que o incêndio se propagou do teto da sala para baixo e as pessoas, para se protegerem, puseram os braços na cabeça e, portanto, foram essas as zonas mais expostas às queimaduras. (...) Há alguns traumatismos torácicos e alguns traumatismos a nível dos membros".

Dos internados em Tondela, quatro doentes já tiveram alta nesta manhã de domingo.

Dos oito mortos no incêndio, um deles é de Santa Comba Dão e pelo menos quatro de Tondela (uma mulher e três homens na casa dos 50 anos). 

"Resposta adequada"

O diretor clínico do hospital de Viseu destacou o empenho de todos os profissionais envolvidos no socorro, dando conta de que um deles chegou mesmo a perder o irmão neste incidente.

Perante mais uma tragédia a assolar o interior do país, o diretor clínico do hospital de Viseu quis sublinhar a "resposta adequada" que houve neste incidente e a eficiência na mobilização de meios, durante a noite, incluindo os aéreos.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, vão ao local ao final desta manhã de domingo.  

Salamandra explodiu

Na origem do fogo está uma fonte de aquecimento, uma salamandra, segundo adiantou ontem José António Jesus, presidente da Câmara de Tondela.

A salamandra estava posicionada no meio da sala e ter-se-á incendiado, pegando fogo ao teto.

O pânico gerado com a explosão, com muitas pessoas a tropeçarem umas nas outras, acentuou o número de feridos do incêndio, a maior parte devido a queimaduras ou por inalação de fumo.

Uma das quatro pessoas que conseguiram sair ilesas contou à TVI que o edifício tem uma porta ao fundo da escada, que abre para dentro. "Quando as pessoas caíram, a porta não abria nem para dentro nem para fora". A porta acabou por ser arrombada por um jipe.

O alerta foi dado às 20:51 e, uma hora depois, pelas 21:50 o incêndio foi dado como extinto.