O Presidente da República visitou esta segunda-feira à tarde quatro postos de comando dos bombeiros na zona de Pedrogão Grande e, no final, estava mais esperançado que seria possível controlar os incêndios, que fizeram 64 mortos desde sábado.

Marcelo Rebelo de Sousa estava em Góis, o último posto de comando dos bombeiros que visitou durante a tarde e que o levou a fazer mais de 120 quilómetros entre Avelar (Ansião), Figueiró dos Vinhos, Serra de São Macário (Cernache do Bonjardim) e Góis debaixo de temperatura sempre superior a 35.º Celsius.

O balanço é genericamente mais positivo do que aquilo que esperava”, afirmou Marcelo, gravata preta, semblante algo carregado, que o acompanhou durante o dia, tendo a seu lado a ministra da Administração Interna, Constança Urbana de Sousa, com colete azul e laranja, da Proteção Civil.

Depois de começar esta visita às zonas afetadas pelos incêndios, em Avelar, Ansião, Marcelo tinha agora perspetivas “mais favoráveis”.

A ministra da Administração Interna afirmou aos jornalistas, em Góis, que a “situação está a melhorar”, embora, como Marcelo, diga que há muito “trabalho a fazer”.

Já com algum sentido de humor, e com algum simbolismo, Rebelo de Sousa contou o caso de “uma senhora teimosa” que, com a sua ajuda, pelo telefone, a presidente da Câmara de Góis, Maria de Lurdes Castanheira, tentou convencer a deixar a sua casa devido ao perigo dos incêndios.

“Vim agora a saber agora que a senhora acabou por sair, mas já voltou para casa. Esteve fora uma noite inteira, não dormiu um minuto, do nervoso, para voltar com o marido para casa, mas já está em casa, em condições de se poder dizer que pode lá ficar”, relatou.

No final do dia, Marcelo Rebelo de Sousa visitou o quartel onde se mostrou emocionado perante os bombeiros que combatem as chamas desde sábado. 

A presença do Presidente da República tem o objetivo de vos agradecer muito emotivamente aquilo que foi a vossa entrega nestes dias, pela vossa de comunidade, que é uma forma de se entregarem ao serviço de Portugal", afirmou o Presidente da República.

Marcelo volta a pedir que se evite, para já, “frente” da discussão de falhas

Pela terceira vez em dois dias, o Presidente da República pediu que não se arranje "mais uma frente" de combate, com a discussão sobre o que fazer para evitar incêndios como o que começou em Pedrógão Grande.

Primeiro na sua mensagem ao país, no domingo, e esta segunda-feira, por duas vezes, na sua segunda visita à zona afetada pelos incêndios, pediu para que essa "reflexão" se faça mais tarde.

A fórmula foi idêntica em Avelar (Ansião) e em Cernache do Bonjardim, com Marcelo a pedir que não se faça a discussão por enquanto.

Estamos no momento de combate em que, a pouco a pouco, vamos conseguindo controlar a situação", disse o chefe de Estado, pedindo que não se junte "mais uma frente" à "frente" de combater as chamas e apoiar as vítimas.

Depois, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa em Avelar, mas também em Cernache, haverá "todo o tempo do mundo para falar de causas, reflexões".

De críticas, Rebelo de Sousa respondeu com um sorriso quando uma jornalista lhe perguntou se não se chateava quando o criticavam por ir distribuir beijos.

Nestes momentos de dor, "os afetos ou chamem-lhe o que quiserem", são necessários.