O incêndio em Vale Travessos, Melres, Gondomar, foi dominado às 15:30 deste domingo, depois de ter voltado a causar momentos de pânico.

A população acordou este domingo em sobressalto depois do incêndio, que começou na sexta-feira e se agravou no sábado, ter voltado a ameaçar habitações. Os bombeiros não tiveram mãos a medir.

Em declarações aos jornalistas, em Gondomar, o Comandante Distrital do Porto, Rodrigues Alves, afirmou não ter conhecimento de casas destruídas.

"Não temos conhecimento de que qualquer casa tenha sido destruída pelo fogo. " 

Isto depois de o presidente da junta de freguesia de Melres e Medas, José Andrade, ter dito à Lusa, durante a manhã, que uma casa tinha ardido "completamente” e que outras tinham ficado “chamuscadas”.

“Há casas ardidas. Uma moradia ardeu completamente e as habitações vizinhas ficaram chamuscadas. Cerca de 20 pessoas foram retiradas de casa por volta das 11:00, em Vale Travessos, Melres. Há um idoso de 92 anos hospitalizado, que já tinha sido retirado da habitação por volta das 07:00”, descreveu o presidente da junta de freguesia de Melres e Medas, José Andrade.

Este incêndio, que começou na sexta-feira, teve duas frentes ativas e foi combatido por 176 homens, 63 meios terrestres e dois meios aéreos, segundo dados disponibilizados pela Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC).

José Andrade, presidente da junta de freguesia de Melres e Medas, disse à Lusa que estavam em perigo “muitas habitações” e apelou a um reforço de meios da Proteção Civil, lamentando que o posto de comando ali instalado no sábado tenha sido retirado pelas 04:00 de hoje.

Eu próprio já retirei de casa um idoso de 92 anos. Está agora numa ambulância para ver onde o vamos colocar. A situação é muito similar à de sábado, mas para pior, porque o fogo está mais pulverizado”, acrescentou o autarca.

“As coisas estão muito más”, disseram à Lusa os Bombeiros Voluntários de Melres, sem disponibilidade para prestar mais informações devido ao elevado número de chamadas que estavam a receber.

O fogo “em povoamento misto”, com “duas frentes ativas”, foi, pelas 10:00, colocado pela Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) na lista de “ocorrências importantes”, designação atribuída a incêndios rurais “de duração superior a três horas e com mais de 15 meios de proteção e socorro envolvidos”.

Este fogo, que começou na tarde de sexta-feira, ameaçou no sábado as povoações de Vilarinho e de Moreira e foi dado como dominado durante a madrugada de hoje.

De acordo com dados da ANPC, o fogo estava, pelas 02:10 de hoje, "em resolução", continuando no terreno 159 operacionais.

Durante a tarde de sábado, o incêndio teve duas frentes ativas e foi combatido por 102 homens, 38 meios terrestres e dois aviões.

Chamas perto da população em Arouca

O incêndio florestal que lavra há mais de 16 horas na Serra da Freita, em Arouca, está perto da povoação de Merujal, mas para já não há casas em risco, disse o comandante do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Aveiro.

Em declarações à Lusa, o comandante José Bismarck, do CDOS de Aveiro disse que o fogo com três frentes ativas, é o que está a preocupar mais os bombeiros.

"O incêndio continua muito desfavorável. As chamas estão perto da povoação de Merujal, mas não há casas em risco", adiantou o mesmo responsável.

Devido à proximidade das chamas, as autoridades decidiram evacuar esta manhã o parque de campismo de Merujal. "Houve alguns cuidados e algumas pessoas tiveram de sair do parque, mas agora já não há perigo", disse José Birmarck.

O fogo que deflagrou cerca das 19:00 de sábado, na freguesia de Rossas, está a ser combatido por 103 homens, com o auxílio de 29 viaturas e dois meios aéreos.

Segundo o mesmo responsável, o combate às chamas está a ser dificultado pelas condições meteorológicas, que "são muito desfavoráveis" e devido à simultaneidade de incêndios, que "obriga a alguma divisão de meios".

Fogos não dão tréguas aos bombeiros

De acordo com a página da ANPC, neste momento há nove fogos ativos no distrito de Aveiro, dois dos quais também estão a concentrar muitos meios.

No concelho de Santa Maria da Feira, em São Paio de Oleiros, um incêndio que deflagrou às 08:40 está a ser combatido por 45 homens auxiliados por 12 viaturas.

Mais a norte, em Arões, Vale de Cambra, 50 homens apoiados por 16 viaturas combatem um incêndio que está a lavrar desde as 07:25.

Já em Gouveia, distrito da Guarda, um incêndio está a ser combatido por 76 homens, 22 meios terrestres e dois meios aéreos.

Este fogo “em mato”, que tem “duas frentes ativas”, começou este domingo, pelas 05:51 na localidade de Melo, freguesia de Melo e Nabais, concelho de Gouveia.