O tenente-coronel da GNR Carlos Santos foi questionado esta terça-feira sobre a possibilidade de terem sido militares desta autoridade a desviar os condutores para a Estrada Nacional 236-1, onde dezenas de pessoas acabaram por morrer, no sábado, devido ao incêndio de Pedrógão Grande.

No entanto, o responsável pela GNR não respondeu às perguntas sobre as críticas à atuação policial e sobre as estradas que estariam ou não cortadas naquela altura, justificando que não era ele que estava a trabalhar.

“Não lhe posso precisar. Iniciei ontem o meu período de serviço, os camaradas que vim substituir é que estarão em mais condições para dar esse pormenor.”

Carlos Santos prometeu, no entanto, que a GNR irá “acautelar” eventuais conclusões da análise à sua atuação no sábado.

“Eu para já não domino essa informação. Cheguei aqui numa altura em que essa situação já tinha passado. Mas com certeza que iremos acautelar tudo o que estiver na base desse procedimento, se é que ele existiu.”

Fonte da GNR esclareceu a TVI que “é o comandante das operações de socorro”, da Proteção Civil, “que dá indicações aos militares para fechar ou abrir estradas”.

A mesma fonte garantiu que tudo o que foi ordenado no sábado “ficou registado”, mas que “só depois do incêndio extinto” é que começará essa avaliação.

Na RTP, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, garantiu que o Governo já exigiu esclarecimentos às autoridades competentes sobre várias respostas ao incêndio, nomeadamente "sobre o encerramento ou não encerramento da Estrada Nacional onde se deu o fatídico caso”.

O despacho de António Costa, a que a Agência Lusa teve acesso, refere a pergunta do primeiro-ministro: "Porque não foi encerrada ao trânsito a Estrada Nacional (EN 236-I), foi esta via indicada pelas autoridades como alternativa ao IC 8 já encerrado e foram adotadas medidas de segurança à circulação nesta via?"

Também a ministra da Administração Interna, esta tarde, pressionou as autoridades a prestarem esclarecimentos.

"Foi ordenado imeadiatamente que fosse explicado as circunstâncias daquela atuação e isso tem de ser devidamente esclarecido."

No domingo, Maria de Fátima foi uma das sobreviventes que relatou esta situação. Aos jornalistas, contou que os condutores tentaram entrar no IC8, mas que militares da GNR terão dado a indicação para seguir pela EN 236-1.

“Chegámos ao IC8 e a Guarda não nos deixou entrar, mandou-nos seguir em frente. Pensámos que esta estrada estava livre de perigo, como eles nos tinham mandado em frente..."