A Associação dos Profissionais da Guarda denunciou a falta de meios e a falta de comunicações no incêndio que devastou Pedrógão Grande e provocou 64 mortos.

Em declarações à TSF, o presidente da associação, César Nogueira, sublinhou que nos três concelhos afetados, Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, havia apenas dois homens num carro em patrulha.

Logicamente que dois homens não vão garantir nada”, sublinhou.

O representante dos militares da GNR afirmou que outro dos problemas foi a falta de comunicações que aconteceu com a quebra do SIRESP – algo que o presidente da associação confirmou junto de vários militares que estiveram no terreno.

O problema está na falta de efetivos e logicamente na falha de comunicações que houve e isso foi nos informado por camaradas que estiveram na situação e que estão tremendamente afetados."

César Nogueira disse ainda que muitos militares estão indignados com os comentários ao trabalho da GNR por não ter cortado de imediato a Estrada Nacional 236-1, onde morreram 47 pessoas, e com a ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, que abriu um inquérito ao caso.

"Certamente não cortaram a estrada porque desconheciam que o fogo existia já na outra estrada", vincou o responsável.

O responsável adiantou que vários militares estão afetados com a tragédia e alguns meteram mesmo baixa psicológica porque sentem que fizeram tudo o que podiam e acabaram por não conseguir salvar dezenas de pessoas. 

Sabemos que alguns até já meteram baixa psicológica porque fizeram tudo naquela dificuldade toda e não conseguiram salvar essas vidas."

O Comando Geral da GNR explicou em comunicado que a EN-236-1, que ficou conhecida como a "estrada da morte", foi atingida no incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande de forma "inesperada e assustadoramente repentina, surpreendendo todos", vítimas e Guarda.

A posição foi defendida pelo Comando Geral da GNR em resposta ao pedido de esclarecimento urgente feito pelo primeiro-ministro, António Costa, que na terça-feira questionou qual a razão para não ter sido encerrada a EN 236-1, no sábado, durante a fase de expansão do incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande.