O ex-comandante nacional da Proteção Civil desviou meios do incêndio de Mação, no final de julho, contra os alertas do comandante distrital e da autarquia local.

A fita do tempo relativa ao combate a este fogo, que devastou cerca de 80% do concelho, é reveladora. Às 7:50 do dia 24 de julho de 2017, no documento a que a TVI24 teve acesso, lê-se: “Por indicação de Sr. CONAC (comandante nacional da Proteção Civil), GRIF Aveiro com nova missão, para Relva da Louça (distrito de Castelo Branco).

O presidente da Câmara de Mação já tinha alertado, por várias vezes, para um eventual desvio de meios, numa altura crucial do combate ao incêndio.

“Quando eu já sabia que a ordem veio do comandante nacional, falei com ele. Deu-me a entender que, não estando no terreno, ‘orientem-se’. Esta fita do tempo prova que o senhor comandante nacional tomou a decisão. Isto comprova o desvio de meios”, diz agora Vasco Estrela à TVI24, confirmando que já avançou com uma queixa para a Inspeção-Geral de Administração Interna.

Na madrugada e manhã de 24 de julho, segundo o autarca, o então comandante Rui Esteves (que entretanto se demitiu devido à polémica da licenciatura) não atendeu aos pedidos tanto do próprio Vasco Estrela, como do comandante distrital da Proteção Civil que estava no terreno, Mário Silvestre.

“O fogo ia entrar numa zona complicadíssima. Suplicámos: não deixe ir os meios, vai acontecer isto e isto e aconteceu mesmo.”

Segundo o presidente da Câmara, naquela noite, além desta equipa de Aveiro, saíram da zona de Mação para Proença-a-Nova “cerca de 20 viaturas de combate e oito autotanques”. Pelas suas contas, “tiraram-nos daqui 100 homens”, numa altura em que não havia meios aéreos no local.

O fogo de Mação consumiu pelo menos 18 mil hectares e ainda alastrou para os concelhos de Proença-a-Nova e Sertã. Chegadas as conclusões da Inspeção-Geral de Administração Interna, o autarca admite avançar para tribunal.

“Agora podemos questionar-nos a quantas Câmaras aconteceu o mesmo…”