Dois helicópteros vão reforçar hoje de manhã o combate ao incêndio que lavra em Mondim de Basto desde terça-feira e que «já deixou um rasto de destruição» na paisagem e na atividade económica, disse o presidente do município.

«É uma extensa área, cerca de 30 quilómetros entre Paradança e o Alto do Velão, que estão completamente dizimados pelas chamas e isso é um prejuízo enorme para o concelho, não só em termos materiais como também emocionais para as populações», afirmou Humberto Cerqueira à agência Lusa.

O autarca referiu que Mondim de Basto tem feito uma forte aposta no turismo da natureza e «agora o que se vê, é sobretudo, terra queimada».

«São já centenas de hectares de floresta ardida com prejuízo em termos monetários, que ainda não são possíveis de quantificar¿, salientou.

Ainda não é possível quantificar mas, de acordo com Humberto Cerqueira, são muitos devido à «descida do valor da madeira, a que acrescem prejuízos nas empresas de resinagem e na apicultura, com a destruição de muitas colmeias».

«Tenho conhecimento de uma empresa que tinha 20 trabalhadores e que, por causa deste incêndio, provavelmente vai ter que deixar de laborar aqui no concelho, porque não tem já pinhal», frisou.

Hoje de manhã, segundo o autarca, a situação parece ser ¿mais favorável¿ ao controlo do fogo.

«Vamos ver a evolução, se não surgir mais nenhum foco de incêndio, se as condições atmosféricas, sobretudo de vento, melhorarem, esperamos que haja uma evolução positiva durante o dia», salientou.

De acordo com a página da internet da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), neste incêndio que deflagrou na madrugada de terça-feira em Fervença, no Parque Natural do Alvão (PNA), estão hoje de manhã mobilizados 287 operacionais e dez viaturas.

O combate às chamas, que avançam em três frentes, vai ser ainda reforçado com dois helicópteros pesados.

A manhã de hoje parece ter trazido alguma calma mas, segundo o autarca, durante a noite viveram-se alguns momentos complicados na freguesia de Paradança.

«Estiveram algumas casas em risco, mas com os meios no terreno foi possível poupar as habitações», referiu.

Na quinta-feira à noite, uma casa ardeu e quatro pessoas ficaram desalojadas em Ponte de Olo.

O presidente da Câmara de Mondim de Basto disse que o concelho viveu uma «situação dramática» na quinta-feira.

Um outro incêndio que ontem afetou Mondim de Basto e que entrou no concelho vindo de Cerva (Ribeira de Pena) foi dado como dominado às 03:07.