O presidente da Câmara de Castanheira de Pera disse, esta quinta-feira, que teria ficado satisfeito se não tivesse havido problemas com as comunicações no incêndio de Pedrógão Grande e adiantou que o assunto é para os técnicos e investigadores.

O que me deixava satisfeito é que não tivesse havido toda esta chatice e estes problemas com as comunicações", afirmou à agência Lusa, o presidente da Câmara de Castanheira de Pera, Fernando Lopes.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) registou 12 pedidos de ajuda sem resposta durante o incêndio de Pedrógão Grande por falta de meios e 25 por falhas de comunicação, registando-se vítimas e casas destruídas em alguns locais onde foi pedido apoio.

Numa resposta enviada ao Governo, a ANPC aponta para a dispersão do dispositivo face à disseminação de localidades afetadas, para a velocidade das chamas e para as dificuldades nas comunicações como fatores que condicionaram a resposta dos operacionais no incêndio de Pedrógão Grande, que provocou, pelo menos, 64 mortos.

O autarca explicou que não tem um conhecimento aprofundado da resposta enviada pela ANPC ao Governo mas adiantou que "só a pode aceitar".

Digo que quero acreditar que foi feito um inquérito muito rigoroso sobre essa matéria", frisou.

Quanto ao défice de comunicações em Castanheira de Pera e em Pedrógão Grande, Fernando Lopes confirma que constatou e verificou que "houve défice de comunicações numa operadora em primeiro lugar e em outra a seguir".

Já quanto ao funcionamento da Rede Nacional de Emergência e Segurança (SIRESP), diz que apesar de não ser a pessoa mais indicada para se pronunciar, viu "algumas interrupções nas comunicações e alguma dificuldade".

"Efetivamente, isso constatou-se onde pude estar a acompanhar bombeiros. Tecnicamente não me quero pronunciar", sustentou.

Costa visita obras de reconstrução

O primeiro-ministro, António Costa, regressa sexta-feira aos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, para visitar as obras de reconstrução das casas e empresas destruídas ou danificadas nos incêndios de junho.

Fonte do gabinete do primeiro-ministro adiantou à Lusa que António Costa irá “verificar no terreno o andamento da recuperação”.

O primeiro-ministro visitará várias localidades nos concelhos de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos.

Em julho, o Conselho de Ministros aprovou um conjunto de medidas de caráter extraordinário para fazer face aos danos provocados pelos dois grandes incêndios de Pedrógão Grande e de Góis, que afetaram sete municípios da região Centro do país.

A resolução do Conselho de Ministros reconhece que estes incêndios florestais configuram uma situação excecional e identifica as medidas de apoio imediato às populações, às empresas e às autarquias atingidas: Pedrógão Grande, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Góis, Pampilhosa da Serra, Penela e Sertã.

“Estas medidas incluem a reparação dos danos causados pelos incêndios nas habitações, nas atividades económicas e nas infraestruturas, medidas de apoio social e medidas no sentido de assegurar a prevenção e o relançamento da economia, através de um projeto-piloto de ordenamento do território florestal, de apoio à reflorestação das áreas ardidas, da diversificação da atividade económica e do aproveitamento dos recursos endógenos”, referia o comunicado do Conselho de Ministros.

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, afirmou, na altura, que se estimam prejuízos imediatos próximos dos 200 milhões de euros e um esforço de reconstrução estrutural preventiva em cerca de 300 milhões de euros.

Há um mês, o presidente da câmara de Figueiró dos Vinhos, Jorge Abreu, adiantou à Lusa que o seu município e os concelhos de Pedrógão Grande e Castanheira de Pera vão ter à sua disposição cerca de 10,5 milhões de euros para a recuperação total ou parcial de 185 habitações.

De acordo com Jorge Abreu, Pedrógão Grande, que foi o mais afetado, com 121 habitações atingidas, vai receber cerca de 7,3 milhões de euros, enquanto Castanheira de Pera irá ter quase dois milhões para intervir em 41 casas.

O município de Figueiró dos Vinho, o menos afetado dos três, terá a 1,2 milhões para recuperar 23 imóveis.

Na altura, o ministro do Planeamento e Infraestruturas anunciou também que a recuperação de dois terços das casas de primeira habitação afetadas pelos incêndios de Pedrógão Grande e Góis iriam avançar de imediato.

De a acordo com o ministro, nos sete concelhos atingidos pelos fogos estavam identificadas 205 intervenções em casas de primeira habitação, das quais dois terços estão em condições de avançar de imediato.

O incêndio que deflagrou em Pedrógão Grande no dia 17 de junho, no distrito de Leiria, provocou 64 mortos e mais de 200 feridos, e só foi dado como extinto uma semana depois.

Mais de dois mil operacionais estiveram envolvidos no combate às chamas, que consumiram 53 mil hectares de floresta, o equivalente a cerca de 75 mil campos de futebol.

O fogo chegou ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra e Penela.