O vice-presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, João Pinheiro, realçou esta quinta-feira a aposta da instituição no “fortalecimento da colaboração” com as universidades.

Na sua intervenção na abertura da II Conferência do INMLCF, João Pinheiro valorizou o reforço das relações com as faculdades de Medicina portuguesas, com as quais o instituto pretende “renovar os protocolos de colaboração científico-pedagógica, alguns com mais de 15 anos, ajustando-os à realidade e tempos” atuais.

“Não posso deixar de salientar, com muito agrado, a estreita e profícua colaboração que iniciámos este ano com a Nova Medical School da Universidade Nova de Lisboa, que, estando ali mesmo ao lado da nossa Delegação Sul, não se comunicava com esta, vivendo ambas inexplicavelmente de costas voltadas há longos anos”, exemplificou, citado pela Lusa.

João Pinheiro disse que o alheamento entre as duas entidades, na capital, teve “várias consequências nefastas”, como o facto de “a cadeira de Medicina Legal ter sido paulatinamente reduzida a seis horas letivas anuais no atual plano de estudos do curso de Medicina” daquela escola.

Este estabelecimento de ensino acolheu uma proposta de colaboração do INMLCF que permitiu criar no quinto ano médico uma cadeira de opção, designada Medicina Legal e Ciências Forenses, com 32 horas letivas, que arranca em fevereiro de 2016, será regida pela professora Cristina Mendonça, diretora da Delegação Sul do instituto, e incluirá aulas, assistência a autópsias e exames penais.

Na sua opinião, “novos e auspiciosos trilhos de formação pré e pós-graduada e de investigação se abriram” entre as duas instituições, os seus professores e alunos.

“Assinámos com o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, do Porto, estão fechados os protocolos com a Universidade do Algarve e a Faculdade de Medicina de Lisboa e estamos em fase de negociação com a Faculdade de Medicina de Coimbra”, informou João Pinheiro.

O INMLCF quer continuar “nesta direção para outras escolas e instituições”, planeando a abertura em Faro, em janeiro, de um curso de pós-graduação em Medicina Legal e Ciências Forenses, envolvendo as unidades de saúde da Universidade do Algarve.

Também o presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal, Francisco Brízida Martins, destacou no seu discurso a importância de “fazer ponte com todos aqueles que de uma forma ou de outra interagem com a atividade” do organismo público que lidera.

A conferência nacional, que decorre hoje e na sexta-feira, no auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra, permite ao INMLCF confirmar a sua condição de “parceiro privilegiado na administração da justiça”, promovendo “uma ampla partilha de saberes e experiências”.