Os imigrantes portugueses poderão enfrentar mais pobreza e um maior dilema em permanecer a viver no Reino Unido se for aplicado o plano que o primeiro-ministro britânico apresentou esta sexta-feira para controlar a imigração europeia.

«Vai ter um impacto maior para aqueles que têm empregos precários e pode aumentar a pobreza em grande escala na comunidade portuguesa e outras imigrantes», acredita a diretora do Centro comunitário de Apoio à Comunidade Lusófona em Londres.

Entre as medidas apresentadas por David Cameron consta a imposição de um prazo de seis meses para que os imigrantes encontrem trabalho e de quatro anos de residência até poderem beneficiar dos subsídios estatais de subsistência e de habitação.

Fernanda Correia disse à agência Lusa que estas alterações podem afetar os imigrantes que chegam sem ideia do elevado custo de vida e da dificuldade em encontrar alojamento e emprego. Sem apoios sociais, «muitas famílias têm de pedir ajuda a amigos ou ficam sem abrigo, ou têm de voltar para Portugal».

Também Susana Forte Vaz, responsável pelo centro comunitário European Challenge, em Thetford, no leste de Inglaterra, adverte para o impacto destas medidas na comunidade portuguesa.

«Quando chegam, não vêm pelos subsídios, vêm trabalhar. Mas se ficarem sem emprego alguns meses, vamos ver se ficam», disse à Lusa.

Na região de Norfolk, continuam a chegar muitos portugueses para a indústria da agricultura ou de processamento alimentar. «Os subsídios são importantes para os primeiros anos, porque começam por trabalhos temporários e precisam de tempo até conseguirem um contrato», explica.

Ainda assim, acredita que o fluxo de imigrantes portugueses vai continuar elevado devido ao desemprego em Portugal. Outro risco, admitiu, é o de alguns portugueses caírem em situações de pobreza ou mendigagem.

«O impacto [das medidas] será após a chegada e veremos quem vai aguentar e quem vai embora», afirmou Susana Vaz.