O Canadá naturalizou, em 2013, 636 novos cidadãos nascidos em Portugal, disse hoje à agência Lusa uma fonte do Ministério da Imigração e Cidadania canadiano.

«Os números de 2014 ainda estão a ser contabilizados, mas em 2013, 636 pessoas nascidas em Portugal adquiriram a cidadania canadiana», disse a mesma fonte.

Em janeiro de 2014, obtiveram a cidadania canadiana mais de 16 mil pessoas, provenientes de 190 países diferentes, um número bastante superior ao alcançado no mesmo mês de 2013 (8.250). No ano passado, em média, por mês, foi concedida a cidadania a 10.745 pessoas.

Anabela Resendes, de 27 anos, foi uma das pessoas que se naturalizou canadiana. Natural de S. Miguel (Açores), está no Canadá há sete anos, seis dos quais em Toronto, mas há um ano, decidiu ir residir para Calgary, na província de Alberta, e criou uma empresa de limpeza.

«É aqui que vivo, trabalho, onde construo o futuro, é aqui que pertenço. Se a minha vida está aqui, não posso colocar em risco, pois um dia podiam-me pedir para voltar ao país de origem», justificou.

Com esta naturalização, Anabela Resendes, disse que, «com orgulho», se considera uma "portuguesa-açoriana" de «nascimento e educação», e canadiana quanto a «oportunidades e trabalho árduo».

Relativamente ao seu processo, disse que «foi muito simples» e que demorou aproximadamente um ano.

«Depois de preencher os formulários, é muito importante verificar se toda a informação solicitada está lá. Depois o passo seguinte é esperar pelo livro para se estudar para o exame, e após sucesso no teste, participa-se num juramento de bandeira, a ultima fase do processo», explicou.

Também Jorge Neves, de 37 anos, jornalista, natural da Chamusca (Santarém), a residir em Toronto, adquiriu a cidadania canadiana.

«Foi apenas uma questão de lógica, de justiça para um país que me acolheu. Foi o seguir de um processo normal. Primeiro adquiri a residência permanente, e depois, com naturalidade, a cidadania», contou à agência Lusa.

No Canadá há nove anos, o agora luso-canadiano pretende «sentir-se útil ao país» para estar «envolvido diretamente na vida civil e política» do lugar que escolheu e que lhe deu a «oportunidade de ter uma vida mais estável», por isso «não faz sentido viver num país e não contribuir ou não ter uma ação de desenvolvimento do mesmo».

Apesar de ter optado também pela cidadania canadiana, Jorge Neves disse que não esquece as suas raízes.

«O tempo de vida canadiana ainda é breve e não posso esquecer as minhas raízes, o local onde nasci e passei grande parte da minha vida. No entanto, a vida está completamente centrada no Canadá, sinto-me igual aos outros cidadãos, com os mesmos direitos e deveres. E também porque o regresso definitivo a Portugal é algo que já não faz parte dos meus planos», afirmou.

Quanto ao processo de naturalização, não foi longo, demorou «pouco mais de um ano», embora «dependa de caso para caso», no entanto «foi fácil» e até a podia ter adquirido «há mais tempo», mas a rotina diária na «acabou por adiar a questão», disse.

Recentemente, o Governo canadiano apresentou algumas propostas de alterações à lei de cidadania: os residentes permanentes vão ter de estar presentes fisicamente no país durante quatro anos, num período total de seis anos e idade necessária para fazer o exame de conhecimentos sobre o país também pode vir a ser alterada.

Atualmente, a idade para a realização do exame é dos 18 aos 54 anos. O Governo propõe que o teste seja obrigatório entre os 14 e os 64 anos. Os candidatos também terão de preencher a declaração de impostos para poder avançar com a aplicação.