A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) detetou situações de acumulação de funções de trabalhadores do Hospital Fernando da Fonseca (Amadora-Sintra) sem autorização e que levantam dúvidas quanto à veracidade de registos de assiduidade.

No relatório de uma auditoria a propósito dos equipamentos de imagiologia em quatro hospitais portugueses, a IGAS diz que foram detetadas irregularidades no que respeita à acumulações de funções de profissionais de saúde dos serviços de radiologia/imagiologia.

A auditoria, realizada no ano passado, abrangeu os centros hospitalares de São João, Universitário de Coimbra, de Lisboa Norte e o Hospital Fernando Fonseca.

À exceção do Centro Hospitalar de São João, nas outras unidades os processos individuais dos trabalhadores não mostravam os pedidos de acumulação de funções com exercício em entidades privadas, nem a respetiva autorização.

No Hospital Fernando Fonseca foram detetados três trabalhadores que acumulam funções no Centro Hospitalar de Lisboa Norte ¿ CHLN (no Hospital Pulido Valente) «sem que tenham sido encontradas evidências dos pedidos de acumulação e da sua autorização».

Do registo de assiduidade destes trabalhadores em maio e junho do ano passado, a IGAS encontrou situações que suscitam dúvidas quanto à sua veracidade, bem como quanto à fiabilidade do trabalho efetivamente prestado.

No caso de um dos trabalhadores, os registos chegaram a mostrar que, num mesmo dia, marcou a saída do CHLN às 14:12 e deu entrada no Fernando da Fonseca às 14:04 e noutro dia diferente registou a saída de uma unidade às 15:00 e a entrada noutra às 14:04.

«Concluiu-se que o trabalhador apresenta períodos de trabalho coincidentes nos dois organismos, bem como o lapso temporal que medeia o registo de saída numa entidade e os de entrada na outra, é muito curto», refere a IGAS no relatório a que a Lusa hoje teve acesso.

Uma outra trabalhadora com acumulação efetiva de funções não compareceu num dia no Hospital Pulido Valente por motivo de doença, mas registou a sua presença no Fernando da Fonseca, o que «suscita dúvidas quanto à veracidade da justificação».

No terceiro caso reportado pela IGAS sobre profissionais em acumulação de funções, dá-se conta de outra trabalhadora que, pelos registos, desempenhou funções sem qualquer interrupção entre as 20:00 do dia 24 de maio e as 14:00 do dia 26 de meio, sem tempo de intervalo entre a saída de uma entidade e a entrada na outra.

«Dada a natureza das situações verificadas, estas serão objeto de informação autónoma», refere o relatório.