O recurso exclusivo a entidades privadas para financiar a criação em Portugal da prova de diagnóstico de inglêspara os alunos do 9.º ano é «único», admitiu esta terça-feira o diretor do departamento de avaliação da Cambridge English Language Assessment.

Além de ser um projeto inovador, afirmou Nigel Pike à agência Lusa, «é único porque temos uma fundação educacional de patrocinadores que vão providenciar o serviço para os estudantes. Temos exemplos de experiências semelhantes, mas não a esta dimensão».

Em geral, acrescentou, este tipo de esquemas são pagos pelos governos nacionais ou regionais de outros países com quem trabalham, nomeadamente Colômbia, França ou a comunidade autónoma de Madrid.

O responsável falava a propósito do projeto «Key For Schools Portugal», que aplicará aos alunos do 9.º das escolas portuguesas um teste de língua inglesa concebido pelo CELT, uma entidade pertencente à Universidade de Cambridge que desenvolve instrumentos de avaliação ao domínio da língua inglesa.

Este teste dará acesso a um certificado que pode variar entre os níveis A1 (utilizador elementar), A2 (utilizador básico) e B1 (utilizador experiente), dependendo do resultado individual de cada aluno.

O protocolo assinado com o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), organismo associado ao Ministério da Educação e Ciência que está a coordenar o processo, atribui «todos os encargos financeiros» à Fundação Bissaya Barreto, o banco BPI, a empresa de tecnologias de informação Novabase, a Porto Editora e a GlobeStar Systems, que faz parte do grupo empresarial do emigrante português no Canadá David Tavares e que comercializa soluções informáticas usadas em vários hospitais portugueses.

«É a única forma que nós temos de montar toda esta operação sem qualquer custo para o Orçamento do Estado», justificou o presidente do IAVE, Hélder Sousa, durante uma visita à sede do CELT em Cambridge para ultimar pormenores do processo.

Esta, enfatizou, «face à situação em que o país se encontra», era uma das condições para avançar.

«Não há qualquer garantia de que a receita do certificado seja suficiente para cobrir custos do projeto. E, se não for, a responsabilidade financeira é dos parceiros», afirmou, atribuindo aos patrocinadores uma «responsabilidade social» e um «reconhecimento da importância do inglês para sociedade em geral e para a economia do país».

Qualquer receita adicional, acrescentou o presidente do IAVE, será «exclusivamente destinada a projetos de educação, na área das línguas ou não».

A inscrição para obtenção de certificado é facultativa e custa 25 euros, enquanto os beneficiários do escalão de ação social mais elevado ficam isentos de qualquer pagamento e os do segundo escalão pagam apenas metade do valor.

Hélder Sousa reconheceu ser impossível oferecer este teste a todos alunos «a custo zero, até pela situação financeira que o país hoje atravessa», mas reiterou o facto de ser menos de um terço do preço habitualmente cobrado por instituições privadas que oferecem o mesmo teste.

«Uma das melhores prendas que um pai pode oferecer aos seus filhos é esta janela aberta para o mundo do trabalho, para o mundo do estudo a nível académico, para a possibilidade de interagir com pessoas de outros países, quer quando se viajam quer a nível da internet», defendeu.