Dezassete hospitais do Serviço Nacional de Saúde já aderiram ao programa de cirurgias adicionais que evita a realização de operações no setor privado pagas pelo Estado, anunciou hoje o ministro da Saúde.

Até ao dia de hoje, cerca de 17 hospitais e 58 serviços já aderiram ao novo sistema [programa de incentivo à realização de atividade cirúrgica no SNS], disse o ministro Adalberto Campos Fernandes no I Fórum dos Hospitais “Os Hospitais – Reforma do Serviço Nacional de Saúde”.

Segundo o ministro, estes hospitais já organizaram respostas para “internalizar o SIGIC [Sistema Integrado de Gestão de Inscritos para Cirurgia] ou a cirurgia adicional”.

Nós não podemos ter os hospitais públicos a produzir listas de espera para depois o SNS estar a pagar essas listas de espera no setor privado”, disse Adalberto Campos Fernandes à margem do fórum organizado pela Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar.

Para o ministro, este valor deve ficar retido dentro do sistema, sublinhando que “é um bom instrumento de financiamento e também de motivação dos profissionais que podem ter uma compensação adicional porque trabalham mais”.

Iniciado em maio, o programa de incentivo à realização de atividade cirúrgica no Serviço Nacional de Saúde visa melhorar a capacidade de resposta, “internalizando a cirurgia adicional que até aqui era enviada para o serviço privado”, explicou o ministro.

Visa também “estimular os hospitais do Serviço Nacional de Saúde a valorizarem-se e a competirem pelo que realmente importa os doentes e a satisfação das suas necessidades”, acrescentou.

Na sua intervenção no fórum, o ministro disse ainda que “os hospitais têm, neste momento, um modelo de gestão que está fatigado, precisa de ser reinventado e precisa de ser modernizado”.

À margem da conferência, o ministro explicou aos jornalistas que “o problema não é tanto de financiamento”: “É um problema de organização, é um problema do cidadão não ter um percurso de martírio quando anda no sistema de saúde e ser obrigado a circular atrás do sistema e não o sistema estar ao serviço dele próprio”.

O ministro sublinhou que há “muitas experiências” em Portugal, que “foi feita muita coisa”, existem “muitos modelos de hospitais”, mas o nível de avaliação “é baixíssimo”.

Temos que pensar e parar esta tendência infernal de produzir leis, criar instituições, criar modelos e é isso que estamos a tentar fazer, procurar aproveitar o que de melhor existe, mas não estar constantemente a criar situações novas”, frisou.

O ministro disse acreditar que há condições para que daqui a um ano haja um “melhor funcionamento” nesta área, comentando que “há um bom clima de trabalho, há um bom movimento” e uma “boa cooperação entre hospitais e cuidados de saúde primários”.