A diretora clínica do Centro Hospitalar de S. João, no Porto, garantiu esta segunda-feira «o mesmo nível de cuidados» aos doentes em recobro intensivo depois do encerramento de cinco camas do Serviço de , que serão reabertas «quando necessário».

«Quanto aos doentes, não há qualquer prejuízo, porque está garantido o mesmo nível de cuidados», afirmou Margarida Tavares, em conferência de imprensa, referindo-se à decisão anunciada na sexta-feira pelo Conselho de Administração (CA) de encerrar as cinco camas de recobro intensivo pós-operatório do Serviço de Anestesiologia (SA) e transferir estes cuidados para o Serviço de Medicina Intensiva.

A solução levou os anestesistas a recusarem participar no Programa de Produção Cirúrgica Adicional (PPCA) logo na sexta-feira o que, para a diretora clínica, foi uma atitude «inaceitável» que deixou «uma série enorme de doentes» por operar.

«Reconhecendo aos anestesiologias o direito de não participar no PPCA, o CA lamenta ter sido informado que essa decisão tinha sido tomada e comunicada no dia em que estavam internados vários doentes que iam ser operados, os quais os anestesistas se recusaram tratar sem qualquer aviso prévio», afirmou a diretora clínica.

«Não nos é possível entender que uma solução que garante a qualidade assistencial e visa melhorar eficiência possa ser objeto deste nível de contestação, a não ser por poder afetar os interesses pessoais de um restrito número de profissionais», vincou Margarida Tavares.

A responsável alerta que na «pequena unidade assegurada por um pequeno número de profissionais» onde estavam as cinco camas, estes «tinham de praticar horários incompatíveis com a segurança dos doentes», nomeadamente devido à necessidade de «estar, por vezes, três dias consecutivos a fazer horas extraordinárias».

Ainda assim, «quando vier a revelar-se necessário reabrir-se-ão as camas, que ficarão a cargo do serviço de medicina intensiva», adiantou.

Quanto à participação dos anestesistas no PPCA, que visa diminuir as listas de espera, Margarida Tavares explica que «o problema vai ser resolvido» mesmo que os profissionais não queiram «reconsiderar posição relativamente à produção adicional», já que é um trabalho voluntário e «têm todo o direito» de o fazer.

«Não tinham o direito era de comunicar em cima da hora quando muitos doentes estavam convocados ou já internados», alertou.

Assim, para evitar cancelamento de operações, o Centro Hospitalar equaciona «contratar serviços suficientes para poder assegurar» o PPCA.

Os custos da opção são idênticos, já que os profissionais dos hospitais «são remunerados por essa atividade adicional por fora do seu vencimento.

A diretora clínica frisou ainda que o Centro Hospitalar não recebeu «qualquer pedido de demissão da diretora do serviço de Anestesiologia», cita a Lusa.

«Até agora não tenho nenhum pedido de demissão na minha mesa», vincou, por volta das 12:00