A Ordem dos Enfermeiros estima que cerca de dez doentes estejam internados em macas no Serviço de Urgência do Hospital de Vila Nova de Gaia quando, segundo adiantou à agência de notícias Lusa um responsável, "existem camas livres" no mesmo equipamento hospitalar.

Não faz sentido nenhum que doentes estejam internados em condições não seguras, sem comodidade e sem dignidade, quando existem camas livres no hospital. Achamos que estão a falhar no serviço à população", disse presidente do conselho diretivo da Secção Regional do Norte da Ordem dos Enfermeiros, João Paulo Carvalho.

Já em resposta escrita remetida à agência Lusa, o Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E) admite que existem "internamentos inapropriados no Serviço de Urgência" e garante que "neste momento decorre um esforço de organização clínica multidisciplinar que visa eliminar" essa situação.

De acordo com o relato feito pela Ordem dos Enfermeiros/Secção Norte, no dia 25 de julho existiam 14 doentes internados em macas no Serviços de Urgência do CHVNG/E, tendo esta entidade a informação de que na mesma data existiam 50 camas disponíveis no hospital.

Faltam condições mínimas que garantam segurança e cuidados de dignidade, o que põe em causa o tratamento do doente, mas também o trabalho dos profissionais. Denunciamos o caso quer pelo bem-estar dos doentes, quer porque sabemos que enfermeiros e outros profissionais vivem uma enorme pressão e dificuldade na prestação de cuidados", apontou João Paulo Carvalho.

"Situação continuou"

Depois do relato que remete para o mês passado, a Ordem dos Enfermeiros fez quarta-feira uma visita ao hospital tendo constatado, referiu o responsável, que a "situação continuou" com dez doentes internados em macas e 34 camas vagas no hospital.

Uma senhora com 92 anos passou sete dias na urgência numa maca onde não é possível prestar cuidados de higiene com qualidade, não é possível mobilizar os doentes com segurança", exemplificou o presidente do conselho da Secção Regional do Norte.

Da visita realizada esta semana surgirá um relatório a enviar aos serviços centrais da Ordem dos Enfermeiros, administração do CHVNG/E, estando a secção regional a "ponderar escrever ao Ministério da Saúde".

Na resposta do CHVNG/E lê-se que "os tempos de resposta aos diversos tipos de doentes, mesmo nos casos de inapropriação, situam-se dentro do clinicamente recomendado".

Os responsáveis deste centro hospitalar acrescentam que "não houve redução de camas de internamento verificando-se que, a exemplo dos demais hospitais, existem camas por utilizar nos diversos serviços", justificando que "os problemas de dotação de pessoal dificultam este esforço [de organização clínica multidisciplinar]".

Antes, o CHVNG/E descreve que está em curso um projeto de reorganização e melhoria de resposta aos doentes do Serviço de Urgência, apontando que está a ser estudada a gestão de camas e planeamento das altas nos internamentos e que está prevista uma nova urgência com muito mais área e uma estrutura adaptada à atual tecnologia médica.