Os Serviços de Urgência em Portugal "não têm falta de médicos mas falta de organização" e devem ser encarados como "um todo" e não como um "somatório" de especialidades, defendeu o presidente do II Congresso Nacional de Urgência.

Em declarações à Lusa, José Roriz, que é também especialista de Medicina Interna da equipa dedicada ao Serviço de Urgência do Hospital de Braga, admitiu que as Urgências dos hospitais portugueses estão "sobrelotadas", têm uma "afluência desmedida" que podia ser resolvida com a implementação de hospitais de dia para seguir doentes crónicos.

Sábado e domingo, cerca de 200 médicos de Medicina Interna e de "várias especialidades" vão reunir-se, em Braga, naquele que será o segundo congresso daquela especialidade para "discutir e apontar soluções" para os serviços de urgência nacionais, uma iniciativa do Núcleo de Estudos de Urgência e do Doente Agudo da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico aponta Portugal como o país com mais atendimentos nos serviços de urgência per capita: mais de 70 em cada 100 portugueses foram admitidos numa urgência hospitalar, entre 2001 e 2015, ano em que ser registaram cerca de sete milhões de idas às urgências, num país que conta com 10 milhões de habitantes.

"Não há falta de médicos nas urgências. O que às vezes há é falta de organização e desfasamento. Poderá haver um desfasamento em termos de recursos, é muito difícil prever tudo", afirmou José Roriz.

Segundo o clínico, "as urgências dos hospitais portugueses estão sobrelotadas, com uma afluência desmedida" pelo que é preciso procurar soluções.

"Um dos problemas que temos é que nunca se pensou nas urgências como um todo mas apenas como um somatório de serviços. Este congresso é para pensar a urgência como um todo", adiantou.

Entre as possíveis soluções para "aliviar" as urgências, João Roriz apontou implementação de hospitais de dia.

"Muitos dos atendimentos que temos são a doentes crónicos, idosos, doentes em cuidados paliativos ou demências. Estes são doentes que não devem ser seguidos nas urgências mas noutro tipo de serviços, como, por exemplo, hospitais de dia, coisa que já se faz para alguns doentes crónicos", disse.

O médico defendeu ainda uma aposta da educação: "Para haver cultura de saúde temos, além da prevenção, de fazer um esforço de saber identificar o que é um sinal de alarme e o que não é. Este tipo de educação deve começar cedo, nas escolas", disse.

No entanto, também os médicos precisam de evoluir.

"Muitas vezes também é uma questão de má comunicação, cerca de três quartos das queixas são erros de comunicação, os médicos e enfermeiros também devem aprender a comunicar. O momento do ato médico também deve ser um ato de educação", defendeu.