O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses entregou esta quinta-feira na Administração Regional de Saúde de Lisboa um abaixo-assinado com cerca de mil assinaturas a contestar a imposição de interrupção de cuidados de enfermagem à hora de almoço.

Em declarações à agência Lusa, o enfermeiro Rui Marroni explicou que o abaixo-assinado fundamenta a necessidade da continuidade do horário de trabalho dos enfermeiros em jornada contínua, com o objetivo de prestar cuidados em continuidade aos utentes.

Como forma de protesto, o sindicato emitiu ainda um pré-aviso de greve para dia 19 de dezembro a partir as 12:00, para que os enfermeiros realizem um «almoço simbólico de protesto» junto às instalações da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT).

«O que está a acontecer é que ao imporem uma interrupção de uma hora no período de almoço estão efetivamente a reduzir a acessibilidade dos utentes aos cuidados de enfermagem», adiantou o sindicalista.

Para o Sindicato dos Enfermeiros, a programação dos cuidados de enfermagem decorrente da jornada contínua, em vigor há 22 anos, permite uma organização em função da procura dos utentes.

«O que a ARS está a querer impor é a interrupção de uma hora em que os enfermeiros não podem prestar cuidados. Isso não é justo nem correto, atendendo à acessibilidade que se pretende», comentou Rui Marroni.

Segundo explicou, a situação não é uniforme em todos os centros de saúde da ARS-LVT, com alguns diretores a terem sido sensíveis aos argumentos dos enfermeiros e a manterem a jornada contínua.

O abaixo-assinado, que segundo o sindicalista tem cerca de mil assinaturas, pretende apelar à ARS para que clarifique o conceito de jornada contínua e «acabe com a intranquilidade que está a existir nalguns centros de saúde», cita a Lusa.

Contacta pela agência Lusa, fonte do gabinete de comunicação da ARS disse não ter sido recebido qualquer abaixo-assinado, mas apenas uma comunicação com o pré-aviso de greve.

O sindicalista Rui Marroni explicou à Lusa que o abaixo-assinado foi entregue na zona de expediente da ARS, uma vez que o Conselho Diretivo do organismo não se mostrou disponível para receber os representantes do sindicato.