O Tribunal de Vagos vai começar a julgar este mês uma professora acusada de ter matado um bebé que acabara de dar à luz, ao esconder o recém-nascido na bagageira do automóvel.

O caso remonta a 11 de maio de 2011, quando a mulher, de 42 anos, entrou em trabalho de parto, na casa de banho da escola onde lecionava, no concelho de Vagos. O Ministério Público (MP), citado pela Lusa, refere que a mulher deu à luz «um feto de idade gestacional superior a 37 semanas, sem quaisquer malformações orgânicas ou disfuncionais».

Depois de cortar o cordão umbilical do recém-nascido, a arguida colocou-o dentro de dois sacos de plástico, na bagageira do carro, onde permaneceu dois dias e acabou por morrer asfixiado, acrescenta o MP.

O cadáver do menino só veio a ser descoberto por mero acaso, no dia 13 de maio, pela namorada do irmão da arguida, que tinha ido à garagem da residência buscar umas cadeiras de transporte de criança.

Ainda de acordo com o MP, a arguida «agiu com o propósito de matar o seu filho recém-nascido o qual se encontrava no início da sua vida totalmente desprotegido e incapaz de se defender e de sobreviver sem assistência e cuidados de terceiros, nomeadamente e em primeiro lugar, de sua mãe, ao que aquela foi totalmente insensível».

A mulher, casada, com dois filhos de quatro e nove anos, está acusada de um crime de homicídio qualificado e outro de profanação de cadáver.

Na contestação, a arguida diz que os factos não se passaram da forma descrita na acusação, o que pretende demonstrar durante o julgamento, que começa no dia 26 de novembro.

Entre as testemunhas de acusação arroladas pelo Ministério Público está o pai do bebé que morreu.