O historiador Ricardo Raimundo, na obra «Os Maus da História de Portugal», afirma que se propõe «analisar os lados lunares de algumas personagens que se destacaram pela negativa», num total de 35, refere a Agência Lusa.

 

«Trata-se de analisar os maus, os malvados da História de Portugal», afirma, na introdução, o investigador Ricardo Raimundo, que trabalha no projeto «Portugaliae Monumenta Misericordium», do Centro de Estudos de História Religiosa da Universidade Católica Portuguesa.

 

A galeria dos «maus» vai da infanticida coimbrã Luísa de Jesus a D. Pedro IV de Portugal, primeiro imperador do Brasil, que cometeu «atos violentos», passando pelos regicidas Manuel Silva Buíça e Alfredo Luís da Costa, que mataram o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro, Luís Filipe, em 1908, por Mouzinho de Albuquerque e pelas rainhas Leonor Teles e Carlota Joaquina.

 

O autor divide esta galeria em cinco temas: «Seres perversos e cruéis», «Assassinos», «Mulheres fatais, causadores da desgraça», «Traidores» e «Ambiciosos/irrequietos».

 

Mouzinho de Albuquerque (1855-1902), que aponta como «um militar exemplar, defensor dos interesses dos portugueses em África ou a violência em demasia», é um dos «seres perversos e cruéis», ao lado dos reis D. Pedro I e D. João II, que aponta como uma monarca «sem escrúpulos e sem coração», D. Afonso VI, sobre o qual condena o comportamento de estúrdia, e D. Pedro IV.

 

Deste grupo fazem também parte os infantes D. Fernando (século XIII) e D. Francisco (século XVII), filho de D. Pedro II, que, segundo citação do autor, não falava «senão em bater, em matar, em apunhalar», e ainda o capitão Vasco da Gama e o vice-rei da Índia Afonso de Albuquerque.

 

Luísa de Jesus que, na segunda metade do século XVIII, ia buscar crianças da roda da Misericórdia de Coimbra, para ser sua ama-de-leite e receber o respetivo pagamento, acabando por as matar, é um dos sete «assassinos» da obra, ao lado de Diogo Alves, Francisco Mattos Lobo, João Brandão, dos dois regicidas e ainda de José Júlio da Costa, que matou o Presidente da República Sidónio Pais.

 

As «mulheres fatais, causadoras da desgraça» escolhidas pelo autor são todas rainhas: Mecia Lopes de Haro, que «enfeitiçou» D. Sancho II, e depois se deixou «raptar pelo cunhado causando a desgraça deste», Leonor Teles, que casou com D. Fernando e fez «um caminho trilhado com base na perversidade», Maria Francisca de Saboia, que, segundo o autor, se sentiu enganada por D. Afonso VI e casou com o cunhado, o rei D. Pedro II, e Carlota Joaquina, que foi conhecida como a «megera de Queluz». Carlota, mulher de D. João VI, é referida por Ricardo Raimundo como «perversa, ambiciosa e ninfomaníaca».

 

O historiador cita quatro traidores: Fernão de Magalhães, que «abandonou o seu rei e o seu reino por cem réis de diferença», relativamente à proposta de Castela, Domingos Fernandes Calabar, Miguel de Vasconcelos, que foi lançado da janela do Paço, em 1640, e Domingos Leite Pereira, que «aceitou dinheiro para acabar com o amante da mulher, que era D. João IV».

 

Os «Ambicioso/Irrequietos» são D. Afonso, irmão do rei D. Dinis, o conde de Andeiro, D. Nuno Álvares Pereira, canonizado pela Igreja Católica em 2010, D. Afonso, o primeiro duque de Bragança, o infante D. Henrique, que liderou o empreendimento dos descobrimentos marítimos, apontado como «negreiro», o padre Simão Rodrigues, que denunciou Damião de Góis à inquisição, Luiz Vasconcelos de Sousa, «um válido ambicioso e oportunista» de D. Afonso VI, o infante D. Manuel, irmão de D. João V, e ainda, o marquês de Pombal, e o rei D. Miguel I, que foi obrigado a exilar-se na corte dos Habsburgo, em Viena.