Comer quatro ou mais porções por semana de batatas assadas, fritas, cozidas ou embaladas está associado a um aumento de 11% do risco de hipertensão arterial. No caso das mulheres em período de gestação, o consumo de batatas está associado ao desenvolvimento de diabetes.

Um estudo publicado no British Medical Journal, que analisou mais de 187 mil pessoas, revela que homens e mulheres que comem quatro ou mais porções de batatas fritas têm mais 17% de probabilidade de desenvolver hipertensão.

Os autores do relatório mostraram também que substituir uma porção por dia de batatas por vegetais leva a uma queda de 7% no risco de desenvolver pressão arterial elevada.

O problema reside no facto de as batatas terem um elevado índice glicêmico (IG), ou seja, libertam energia de forma rápida para a corrente sanguínea e, por consequência, elevam a percentagem de açúcar no sangue, sugere uma equipa do Hospital Brigham and Women e do Harvard Medical School, em Boston. A refeições com elevado IG estão associadas à disfunção celular, ao stress oxidativo e a infeções.

Apesar do elevado consumo de batatas estar associado à pressão arterial elevada, é possível que outros fatores influenciem os resultados, nomeadamente a dieta e o estilo de vida que a pessoa leva”, explicou Victoria Taylor, nutricionista sénior da Fundação Britânica do Coração ao diário The Independent.

Consumo na gravidez

Um outro estudo, publicado em janeiro, revelou que mulheres que consomem batatas durante gravidez têm maior risco de desenvolver diabetes durante o período de gestação.

As mulheres que comem mais de cinco porções de batatas por semana tem o risco aumentado em 50%; quem come entre duas e quatro porções tem 27% de probabilidade de desenvolver a doença e apenas uma porção por semana é o suficiente para aumentar o risco em 20%, revela o relatório, que estabelece a comparação com mulheres que consomem menos de uma porção por semana. 

Devemos basear a nossa dieta em alimentos ricos em amido, tais como as batatas, que devem ser consumidas com casca, pelo elevado valor de fibra. O importante é como cozinhar os alimentos, pode diminuir-se o sal, a gordura e o açúcar neste processo” revelou Louis Levy, chefe de ciência da nutrição em Public Health England.

 

 “Deixar de fumar e ser mais ativo pode ajudar a reduzir o risco de desenvolver pressão arterial elevada”, disse ao jornal britânico. 

A solução pode passar por substituir as porções de batatas por legumes ou leguminosas, tais como feijões, lentilhas, ervilhas e alimentos integrais, reduzindo o risco de desenvolver a doença para 9% a 12%.